03/12/09

Advento... já é Natal!!!


N A T A L


O meu desejo de Natal é tão sentido

que nem sei se é o que quero transmitir...

...Se eu pudesse dizer-te apenas as palavras

que, no íntimo, pensei que já soubesses

desde quando te impusestes na minha vida...!

No tempo em que a saudade desponta...

...e quando alguém se ergue de novo,

com fé, muito querer e persistência,

bem junto a um alguém a quem amar...

...é como de repente abrires os olhos

e vêres que no Advento do Salvador

repões o sorriso nos teus lábios...

...talvez porque mudastes para sempre

razão para um Natal pleno de amor,

melhor que nos anos anteriores,

pois verás à meia-noite como é tão claro:

Jesus dá-nos um Natal de luz e cor...

...tão cheio de alegria e de amor!

Olhamos para trás...

E logo pensamos

que este Jesus nos salvaria,

e um dia,

unidos na esperança e na alegria

saberemos dizer-Lhe OBRIGADO

pois Ele nasceu para que nós pudessemos viver!

Neste Advento

esperamos ansiosos pelo dia

em que Jesus irá nascer... para morrer,

fazendo renascer a nossa esperança

que o Amor de Cristo é a Luz que bem nos guia!

*

Poema de

Victor Elias

23/11/09



A DEVIDA COMÉDIA
Criancinhas
*A criancinha quer Playstation. A gente dá.
*A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
*A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
*A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
*A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
*A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
*A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
*Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
*Desperta.
* É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
*A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
*A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
*A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são«uma seca».
*Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
*Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as
criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho ...sou eu».
*A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na
casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
*Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?
*Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.
Artigo escrito por Miguel Carvalho e publicado na revista visão online

14/11/09

Momento de poesia...

assim, serenamente...

...procuro o outro "eu"
que teima em esconder
tudo o que no peito sinto
e tanto me faz sofrer...
...ainda que suavemente,
porque sinto sem sentir
tudo o que a alma sente
ao chorar ou ao sorrir,
desta forma: SERENAMENTE!
Recuso ser quem não sou,
de uma forma subtil...
...e procuro onde não estou
mais parecendo ser senil...
...e assim, serenamente,
senhor da minha vontade,
vou em busca do meu "eu",
para chegar à verdade!
Ainda que venha a ter
a chave do meu porvir...
...que só será venturoso
enquanto a alma sorrir,
mas não deixo de buscar
o "eu" que anda perdido!
Só então, serenamente,
com a tarefa cumprida,
com afagos e docemente
terá mais sentido a vida!
*
Um poema de
Victor Elias

02/11/09

DIA DE FIÉIS DEFUNTOS

Depois de haver cantado a glória e a felicidade dos Santos que «gozam em Deus a serenidade da vida imortal», a Liturgia, desde o início do século XI, consagra este dia à memória dos Fiéis Defuntos.
É uma continuação lógica da festa de Todos os Santos. Se nos limitássemos a lembrar os nossos irmãos Santos, a Comunhão de todos os crentes em Cristo não seria perfeita. Quer os fiéis que vivem na glória, quer os que vivem na purificação, preparando-se para a visão de Deus, são todos membros de Cristo pelo Baptismo. Continuam todos unidos a nós.
A Igreja peregrina não podia, por isso, ao celebrar a Igreja da glória, esquecer a Igreja que se purifica no Purgatório.
É certo que a Igreja, todos os dias, na Missa, ao tornar sacramentalmente presente o Mistério Pascal, lembra «aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem agora o sono da paz» (Prece Eucarística 1). Mas, neste dia, essa recordação é mais profunda e viva.
O Dia de Fiéis Defuntos não é um dia de luto e tristeza, mas sim um dia de mais íntima comunhão com aqueles que «não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente», no dizer de S. Cipriano.

01/11/09

O DIA DE TODOS OS SANTOS

HOJE É O DIA PARA SE RECORDAREM TODOS OS SANTOS E SANTAS DE DEUS... AQUELES QUE COMPREENDERAM TODO O SIGNIFICADO DAS BEM-AVENTURANÇAS E OUVIRAM NO CORAÇÃO ESTA PALAVRA DE JESUS CRISTO: "ALEGRAI-VOS E EXULTAI, PORQUE É GRANDE NOS CÉUS A VOSSA RECOMPENSA!". LEMBRAR OS SANTOS DEVERIA ACONTECER-NOS TODOS OS DIAS, MAS ELES ESTÃO CONFIANTES DE QUE, PELO MENOS NESTE DIA, NÃO VÃO SER ESQUECIDOS TODOS OS QUE VIVERAM EM SANTIDADE E JÁ ESTÃO JUNTO DO PAI NO GOZO DA VIDA ETERNA NA COMUNHÃO DE DEUS E DE TODOS OS SANTOS.
MAS AMANHÃ SERÁ O DIA PARA SEREM RECORDADOS TAMBÉM AQUELES QUE JÁ PARTIRAM E DORMEM O SONO DA PAZ, AGUARDANDO A ÚLTIMA VINDA DO SALVADOR, PARA RESSUSCITAREM COM CRISTO. IREMOS ENTÃO RECORDAR OS FAMILIARES E AMIGOS, QUE JÁ PARTIRAM PARA O SEIO DO PAI!
IREMOS AOS CEMITÉRIOS, ONDE ENFEITAREMOS AS SUAS SEPULTURAS COM FLORES... COM SAUDADES... VERTEREMOS ALGUMAS LÁGRIMAS FURTIVAS... TEREMOS UM MOMENTO PARA UM PENSAMENTO FEITO ORAÇÃO, PORQUE CIENTES QUE OS QUE PARTIRAM ESTARÃO SEMPRE NO NOSSO CORAÇÃO...

29/10/09

Emigrantes...saudade...sonho

Portugal é um país de emigração e imigração, razão porque se costuma afirmar que "ficou pelo mundo em pedaços repartido". Sabemos que a emigração no nosso País se iniciou cerca do ano de 1425, quando foi iniciada a colonização da ilha da Madeira, que havia sido descoberta e não era habitada.
Depois da aventura madeirense e tomando como exemplo a Família Real, que se havia mudado de armas e bagagens para as terras de Vera Cruz, os portugueses escolheram como destino o Brasil - o que ainda acontece, na actualidade - até que, com o fim da II Guerra Mundial, começou o êxodo das nossas gentes para países como a França, a Alemanha, o Luxemburgo, os Países Baixos, a Venezuela, a África do Sul, os Estados Unidos, o Canadá ou a Austrália.
É ponto assente que a emigração portuguesa foi orientada, de forma especial, para o Brasil, a partir de 1855, atingindo-se o número de 194.021 emigrantes entre os anos de 1905 e 1909. Havia denúncias de a emigração ser um flagelo social que se acentuara na segunda metade do século XIX, mas não há indicativos seguros de que o clamor se não devesse atribuír à intensificação da saída de braços necessários como mão-de-obra para a nossa agrícultura, no dizer dos empresários agrícolas.
Este problema foi por demais debatido após 1870, quando a expansão das áreas cultivadas e o replantio dos vinhedos, que haviam sido destruídos pela filoxera, exigiam um maior número de trabalhadores agrícolas.
Os nossos governantes sabiam que a emigração tinha uma raíz difícil de extirpar, que estava bem à vista: A MISÉRIA QUE GRASSAVA NA VIDA DOS CAMPOS!
Só que a falta de mão de obra rural estava a provocar a alta dos salários agrícolas e isso era considerado ruinoso para os proprietários. Fez-se então um inquérito parlamentar à emigração... e as conclusões foram de que não era a penúria e a falta de emprego a provocar a emigração, uma vez que no Minho se lutava contra a falta de braços , mas o Alentejo estava a receber gentes das Beiras nas épocas de maior faina agrícola, pelo que na origem da emigração estaria latente o desejo de... enriquecer!
Alexandre Herculano bem se insurgiu contra esta visão das coisas, escrevendo diversos trabalhos nesse sentido, onde sustentava que as causas eram realmente a miséria nos campos e a insuficiência dos salários, situação que, no seu entender, deveria ser corrigida associando os assalariados agrícolas à posse das terras.
A grande maioria dos emigrantes portugueses destinou-se ao Brasil, para onde os levava a tradição vinda do século XVII, a par da facilidade de uma língua comum... e do trabalho profícuo dos "engajadores" que recrutavam trabalhadores para as explorações agrícolas do Brasil.
Muitos trabalhadores, oriundos do Norte e das Beiras, foram vítimas desta propaganda dos agentes, que lhes propunham contratos de parceria agrícola em que o salário era constituído por metade do produto líquido do trabalho durante o primeiro ano, sendo que a viagem seria um adiantamento a deduzir desse salário, tal como acontecia com a alimentação, se fosse fornecida pelo proprietário.
Estes trabalhadores trabalhavam em grupos, nas fazendas do interior, e viviam em sanzalas, sobre orientação de antigos capatazes de escravos... pois apenas do ponto de vista jurídico os emigrantes eram distinguidos da escravatura. Os "pactos de parceria" que pareciam aos camponeses minhotos um caminho para a riqueza, não lhes deixavam, muitas das vezes, recursos para fazerem o regresso à Pátria.
O Brasil daqueles tempos era a "árvore das patacas"... mas também o "cemitério dos portugueses!
***CONTINUA***

14/10/09

EM BUSCA DE UM SONHO...

Portugal é um país em busca de sonhos... porque somos gente que procura ser feliz, ainda que o não pareça!
Quando a guerra no Ultramar pedia gente para o sacrifício, os Portugueses optaram por se sacrificar mas por algo que lhe fosse mais rentável sem pedir o sacrifício da própria vida... ainda que os caminhos da emigração fossem agrestes e, muitas das vezes, não se coibiam de pedir aos jovens, que iam "de salto" para as terras gaulesas, um preço alto pela dita de não ir para a guerra.
A sina estava traçada nas linhas da vida do Povo Português, muitas vezes me perguntando se não haveria aí uma "vingança" do Adamastor, das Ninfas do Tejo, dos Velhos do Restelo, que terão arranjado uma qualquer macumba capaz de, pelos tempos fora, obrigar os Portugueses a ter de viver fora da sua terra, do seu torrão Pátrio, vivendo num sortilégio em que o fado será a marca indelével da nossa saudade!
Somos um País de emigrantes... ontem para o Brasil... para a África... para a França... a Alemanha... a Venezuela... a África do Sul... a Austrália, mas o reverso da medalha está a acontecer e nós, ontem calcorriando as sete partidas do mundo em busca da felicidade, da concretização do sonho lusitano, também somos hoje país de acolhimento, mesmo que não tenhamos nada para oferecer, mas sempre capazes de fazer valer o velho aforismo de que o pobre dá mesmo o que não tem, pois partilhar é da sua índole!
Dirá alguém mais avisado: "ENTÃO A NOSSA FELICIDADE É MORRER DE SAUDADE? E SERÁ VERDADE QUE SE MORRE MESMO COM TAL SENTIMENTO?" Bem... o fado diz que não se morre de saudade, mas não acredito que seja cantado por alguém que alguma vez estivesse na situação de sentir verdadeiramente o que é a saudade! O emigrante, pela sua maneira de ser e estar na vida, é um animal saudoso, que apenas sonha com o momento em que voltará a ouvir as "Avé Marias" soarem no campanário da sua aldeia, poderá estar à lareira, nas noites de invernia, a sentir o doce calor vindo do tronco que arde em chamas brilhantes que crepitam, alegres, como se sentissem que ele estava saudoso daquele momento.
E então recorda o velho Prior, que o baptizou, o cachorro fiel, que é agora um animal no declinío da vida, mas antes fora o seu companheiro de brincadeiras, quando corriam pelos valados da terra natal.
Alguns amigos já partiram, levados pela idade, pela doença ou pela guerra, e outros foram crescendo, casaram, tiveram filhos... É o mundo que se renova, muitas vezes sem dar azo a que os sonhos se cumpram, porque o mundo pula e avança, no dizer do Poeta, mas a esperança é sempre renovada!
E é o sonho que comanda a vida, não podemos duvidar! Quando regressamos - se regressar-mos - fazemos a avaliação do que foi a nossa vida na diáspora e perguntamos: VALEU A PENA? Também o Poeta nos diz: "TUDO VALE A PENA..."