17/03/14

NO DIA DO PAI E DE SÃO JOSÉ...

 " Uma oração para você

Pedi a meu Pai para que guiasse meus passos,
e viesse iluminar a minha mente.
enviando uma benção especial da sua graça...
... pedi aos anjos para ficarem sempre comigo,
para me vigiarem e proteger,
em tudo aquilo que eu fizer...
E quando  orei ao meu Pai  ...
também pedi que enviasse nas asas dos anjos,

um toque de Amor e Bondade.

Pedi para que sussurrem, aos meus ouvidos,
a Paz e Alegria,  canções de Amor e Felicidade,

que em delicada sinfonia Angelica
venham embalar  o meu sono de Verdade.
Mas...  fiz a meu Pai um outro pedido:

Que o Pai deixasse que os Anjos, 
que me protegem e dão
Serenidade,
sejam um lenitivo da minha Saudade...
... e assim,  quando sentir aquela leve brisa
que toca no meu rosto, suavemente,
ninguém me irá ver assustada,
pois são os Anjos enviados por Deus,

a quem pedistes que me viessem  proteger."

Adaptado de um poema de
William Shakespeare para
o Dia do Pai 2014

08/03/14

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Hoje, porque é o último dia para o pagamento da renda de casa, alguém se lembrou de dizer que é o Dia Internacional da Mulher, como se elas não tivessem todo um ano para pensar na triste sorte que teve em nascer mulher!
 
Mesmo que se fale em igualdades, em conquistas, em coisas boas que têm acontecido às mulheres, as pessoas não pensam um bocadinho que a maior sorte de uma mulher é encontrar para a sua vida alguém que lhe dê tudo o necessário para ser feliz: AMOR... COMPANHEIRISMO... COMPREENSÃO... VERDADE... CUMPLICIDADE... HUMILDADE e tudo o mais que a leve a ela, mulher, a sentir que encontrou FELICIDADE!
E como 'é no dar que se recebe', nunca será demais aquilo que dois seres, que se comprometeram para a vida, possam partilhar um com o outro... apesar de se saber que é de algum modo utópico pensar-se em felicidade perene, sem abanões nem escolhos, se não sabemos ler os sinais que a vida nos vai colocando no caminho! Quem não sabe o Código da Estrada... sabemos o que acontece!
Mas... porquê um Dia Internacional dedicado à Mulher, se a esquecemos o resto do ano?
 
 O Dia Internacional da Mulher tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917. Entretanto a ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa,  no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito ao voto.
No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado no início do século, até à década de 1920.
 

Na antiga União Soviética, durante o  stalinismo, o Dia Internacional da Mulher tornou-se elemento de propaganda partidária, enquanto nos países ocidentais, a data foi sendo esquecida por longo tempo, vindo a ser recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960. Na actualidade, a celebração do Dia Internacional da Mulher perdeu parcialmente o seu sentido original, adquirindo um caráter festivo e comercial. Nessa data, os empregadores, sem certamente pretender evocar o espírito das operárias grevistas do 8 de março de 1917, costumam distribuir rosas vermelhas ou pequenos mimos entre suas empregadas.
O ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e, em dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher foi adoptado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres.

07/01/14

ADEUS, EUSÉBIO...



Não sei se alguém poderá pensar em atribuír as lágrimas desta mulher à morte de Eusébio da Silva Ferreira, mas esta fotografia remonta aos tempos em que o 'King' andava a mostrar toda a sua categoria como jogador goleador do Benfica e da Selecção Nacional portuguesa  e representa a saudade pelo ente desaparecido na Guerra do Ultramar, talvez até na terra que viu nascer o 'Pantera Negra'.

Mas não é disso que pretendo falar, não é minha intenção estar para aqui a lembrar Homens que, porque cumpriram para além do dever o seu dever para com a Pátria, não são dignos de enfileirar na galeria dos heróis a quem devemos honrar, porque estavam ao serviço da ditadura do Estado Novo, que era colonialista... e eles foram defender a continuação do colonialismo português, como muitas vezes se escreve e diz na comunicação social, porque os valores de ontem nada têm a vêr com os de hoje! 
Ser herói é ser um exímio jogador de qualquer coisa, de preferência benfiquista e filiado no Partido Socialista, pois são estes quem 'comanda' as consciências voláteis do Zé Povinho, que faz de tudo uma festa, mesmo que seja um funeral de alguém que se estima e está indelével na memória dos seus simpatizantes... não digo amigo porque muitas vezes só o vimos pela televisão ou nos jornais, que nos relatam os feitos heróicos de um pontapé bem dado, que deu golo, no sprint para a meta numa corrida de prestígio, na palavra que se disse em determinado momento, dirigida a alguém que é poder e se pretende vêr fora do 'trono'... enfim:
 'AQUELES QUE POR FEITOS GLORIOSOS SE VÃO DA LEI DA MORTE LIBERTANDO'!  
Camões cantou muitos feitos, enalteceu figuras da História do Povo que somos, filhos desta 'Nação valente e imortal'... mas esqueceu-se de estender o seu génio à adivinhação, pois então também cantaria os feitos de um Homem simples, que veio um dia até à capital do Reino para praticar a nobre arte de dar pontapés na bola.

  
Com a camisola das quinas, ele deu uma dimensão de Portugal muito para além do então chamado Império Português, fazendo do golo a sua arma, da classe a sua bandeira e da humildade o seu cartão de visita, chegando até aos dias de hoje aureolado por um prestígio que só os 'Grandes', os 'Maiores' entre todos nós almejaram vir a alcançar.
Suscitou muitas invejas, criou alguns anti-corpos, esteve na génese de algumas lutas inter-clubes, porque foi aproveitada a sua ingenuidade para lhe inculcar aversão para com quem um dia pretendeu os seus serviços, mas na hora suprema, quando Deus o chamou para o seu regaço, todos os que lhe foram apontados como inimigos lhe foram dizer
Tanto ficou por dizer... tanto ficará sepultado para sempre nas lendas que Eusébio da Silva Ferreira continuará a suscitar, até pela hipótese de vir a perpetuar-se no Panteão Nacional. Lá ficará acompanhado por 'gentes famosas mais que quantas', mesmo que seja duvidoso alguns merecerem ali estar.
Eusébio é o porta bandeira de uma pleidade de 'monstros sagrados do futebol português', como Fernando Peyroteu, Júlio Cernadas Pereira (Juca), Sebastião Lucas da Fonseca (Matateu), José Travassos, Vitor Damas, Jesus Correia  e tantas outras estrelas do firmamento futebolístico que já antes nos haviam deixado.
Nem todos mereceram ser 'reis', mas também eles não serão esquecidos por aqueles que  os tiveram como exemplo.

20/12/13

NESTE NATAL...


Que vou poder desejar
a não ser as BOAS FESTAS?
É nisso que estou a pensar,
porque num mundo em mudança
queres melhores coisas que estas
que vêm renovar-nos a esperança?
Que o Deus Menino nascido,
ao renovar o Seu nascimento
  dê Vida com algum sentido...
a este Mundo em tormento!
Que nos dê um Santo Natal,
um Novo Ano com sentido,
e nos mostre hoje, afinal,
que valeu a pena ter vivido!

29/11/13

UMA QUESTÃO DE FÉ...

 
 
 Em Portugal perdeu-se a FÉ, ou então qualquer coisa nas relações entre o Céu e a Terra estará deligado, algum fio condutor estará fora do sítio e não há nenhum 'electricista', que perceba de altas ou baixas tensões, que consiga trazer a luz a este País que, por causas mais que conhecidas, continua à espera de uma luzinha ao fundo do túnel capaz de lhes iluminar a democracia.
Os Correios de Portugal, talvez pela dimensão empresarial, sempre foi um petisco apetecido pelo empresariado, seja para enriquecer o património da empresa que ambiciona calhar-lhe em sorte tal diamante, seja para enriquecimento pessoal, como tantos têm desejos que são mais que evidentes.
Depois... os trabalhadores começam a ter medo das consequências de uma privatização, pois as baldas ao trabalho estarão mais condicionadas, deixando os 'carteiros' da nossa praça de ter tempo para exercer o seu 2º. emprego no restaurante do amigo da 'Tropa' ou do conterrâneo, seja a servir às mesas ou atrás do balcão a tirar bicas e a servir bagaços.
É uma chatice... pelo que a melhor maneira é pedir às centrais sindicais uma mãozinha e decretar uma greve - mais uma -, que os Sindicatos ainda têm fundo de maneio para garantir o vencimento perdido pelo dia de trabalho não ganho.
A imagem acima reproduzida não é uma montagem nem fotografia para o fotógrafo imortalizar o seu trabalho, mas sim um dos pontos mais altos na vida de um Militar, como é o beijar a Bandeira Nacional que jurou servir, mesmo com o sacrifício da própria vida!
Não se trata de "folclore para turista ver", mas sim de um sinal inequívoco de que ser Militar não é ser uma pessoa como as demais mas sim alguém que sabe e pode dizer, com propriedade, " ESTA É A DITOSA PÁTRIA MINHA AMADA...". 

 Estranha-se que alguém, que já foi responsável pelos destinos do País, possa ter a ousadia de falar como o obsoleto doutor Mário Alberto Nobre Soares, que não se convenceu ainda já ter passado o prazo de validade há muito tempo, a não ser por completa senilidade, como parece ser o caso.
Não estou a ver esta pessoa estar no seu perfeito juízo, sabendo que é useiro e vezeiro em deitar da boca para fora expressões como "Ó senhor Guarda... desapareça daqui para fora...";  "Pagar multa? Isso é que era bom! Eu mando para o Governo e eles que paguem..."; "O Governo e o Presidente da república estão à espera de quê? Demitam-se antes que o Povo os corra à paulada!" e outros mimos similares, igualmente demonstrativos da democracia de que tem a alma cheia!
Quem queima a Bandeira em Londres...
 

Está à porta mais um dia 1º. de Dezembro, dia em que se comemora a Restauração de Portugal.
Depois de 40 anos de ocupação do Trono de Portugal pelos castelhanos, D. João IV  foi aclamado Rei , mas teve que sofrer os ataques castelhanos na chamada 'Guerra da Restauração'.
Durante muitos anos este dia era feriado Nacional, mas as coisas viraram-se e valores mais altos se levantaram: FOI EXTINTO O FERIADO DO 1º. DE DEZEMBRO... porque o Governo não gostava dele, vá lá saber-se porquê!
Mas temos de ter fé de que tudo volte a mudar e se volte a ouvir cantar o Hino da Restauração! Acredito que esse dia chegará, nem que seja como o D. Sebastião, num dia de nevoeiro!

01/11/13

NO DIA DO CORPO DE DEUS...

 
 A festividade  do dia de Todos os Santos ( no inglês =Halloween), acontece "quando todos os santos constantes  da Bíblia ( e no Santoral ) se reúnem na Assembleia do Primeiro Salmo de David, conforme a tradição Celta, anglo-inglesa e também portuguesa, uma vez que Portugal chegou a ser solo inglês", celebra-se em honra de todos os Santos e Mártires, "conhecidos ou não". ( Apocalipse 22).
 A Igreja Católica celebra a Festum omnium sanctorum a 01 de Novembro, a que se segue o Dia de Fiéis Defuntos, logo no dia 02 de Novembro. 
Na cultura católica a festa inicia-se no dia 31 de outubro de manhã e finda ao entardecer do dia 2 de novembro, segundo tradição.
 A Igreja Ortodoxa celebra esta festividade no primeiro Domingo depois do Pentecostes, fechando a época litúrgica da Páscoa .
Na Igreja Luterana  é celebrado o dia  principalmente para lembrar que todas as pessoas batizadas são santas e também aquelas pessoas que faleceram no ano que passou.
Em Portugal, no dia de Todos-os-Santos as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos bandos para pedir o Pão-por-Deus de porta em porta.
As crianças quando pedem o Pão-por-Deus recitam versos e recebem como oferenda: pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocam dentro dos sacos de pano que trazem pendurado no ombro. É também costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo aos afilhados, o Santoro.
Em algumas povoações é tradição chamar-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’ ou 'Dia do Bolinho' e esta tradição já era registada no século XV, tendo  origem no ritual pagão do culto dos mortos, com raízes milenares. Em 1756, 1 ano após o terremoto que destruiu Lisboa, ocorrido em 1º de Novembro de 1755 e em que morreram milhares de pessoas e a população da cidade - na sua maioria pobre - ainda mais pobre ficou, mas  ainda assim se cumpriu a tradição.
Como a data do terramoto coincidiu com uma data com significado religioso (1 de Novembro), de forma espontânea, no dia em que se cumpria o primeiro aniversário do terramoto, a população aproveitou a tradição para desencadear, por toda a cidade, um peditório, com a intenção de manter essa tradição que lembrava os seus mortos.
 
As pessoas, percorriam a cidade, batiam às portas e pediam que lhes fosse dada qualquer esmola, mesmo que fosse pão, dado grassar a fome pela cidade. E as pessoas pediam: "Pão por Deus".
Noutras zonas do país, foram surgindo variações quanto à forma e ao nome da comemoração.
Nas décadas de 60 e 70 do séc. XX, a data passou a ser comemorada, mais de forma lúdica, do que pelas razões que criaram a tradição e havia regras básicas, que eram escrupulosamente cumpridas:
         * Só podiam pedir o "Pão-por-Deus", crianças até aos 10 anos de idade (com idades superiores   as pessoas recusavam-se a dar).
         * As crianças só podiam andar na rua a pedir o "Pão-por-Deus" até ao meio-dia (depois do meio-dia, se alguma criança batesse a uma porta, levava um "raspanete", do adulto que abrisse a porta).
A partir deste ano de 2013, por decisão governamental,  foi retirado da lista dos feriados comemorados em Portugal.
Lista do cantochão entoado pelas crianças, a pedir o "Pão-por-Deus":

"Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus."


Ou então:
"Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz


Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
P´ra vir dar um tostãozinho."


"Ó tia dá bolinhos,
pela alma dos seus santinhos?"

Quando os donos da casa dão alguma coisa:
"Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho."


Quando os donos da casa não dão nada:
"Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto."
 

03/10/13

CULTURA À PORTUGUESA

Se alguém duvida da insanidade do (des) Governo de Portugal, basta lêr com atenção e aperceber-se  de como são tratados os 'outros', aqueles que não têm o grande desígnio de serem protegidos pelos caciques (?), para não chamar biltres, que se pavoneiam pelo Palácio de São Bento e a todos vão roubando os parcos cêntimos que governações miseráveis vão deixando para os famintos... que não só de pão, mas de justiça a todos os níveis. Mas vão acontecer mais eleições, por isso... deixem-nos pousar, sim? Querem mudar os nomes das categorias profissionais... que tal por começarem pela mudança de 'membro do Governo' para 'chulo do Povo'?
"Ainda há quem se faça ouvir pela palavra, pela escrita, pelos gestos ou nada dizer e tudo dizer.. APLAUDO O DESASSOMBRO E A CORAGEM!!! Para um GRANDE, o meu aplauso DE PÉ!
Ruy de Carvalho é, nos dias que correm, um homem que, finalmente, aprendeu com quem estava a lidar. Bateu-lhe à porta. E à porta de outros irá ainda bater. Para que também aprendam.
Num texto publicado ontem no Facebook, o veterano actor revela-se indignado com o ministro das Finanças, que acusa de "institucionalizar o roubo", perante "o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República"."
Ministra das Finanças
 

Secretário de Estado da Cultura

Ruy de Carvalho esclarece que decidiu manifestar a sua indignação depois de ter recebido uma carta das Finanças que indica que já não é "artista" e passou a ser apenas "prestador de serviços", deixando de ter direitos conexos e de propriedade intelectual.
Eis a carta:

Ruy de Carvalho condecorado...
 
 "Senhores Ministros:
Tenho 86 anos, e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros, sem pedir nada em troca senão respeito, consideração, abertura - sobretudo aos novos talentos - e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel como cidadão e como artista.
 Vivi a guerra de 38/45 com o mesmo cinto com que todos os portugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização.
Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.                                                       

 Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei.
 Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional.
Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.
Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas destes país - colegas que muito prezo e gostava de poder defender.
Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante.
Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?
Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na  lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.
 Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero. a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.
É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!
É infame que o Direito e a Jurisprudência Comunitárias sirvam só para sustentar pontualmente as mentiras e os joguinhos de poder dos responsáveis governamentais, cujo curriculum, até hoje, tem manifestamente dado pouca relevância ao contexto da evolução sociocultural do nosso povo. A cegueira dos senhores do poder afasta-me do voto, da confiança política, e mais grave ainda, da vontade de conviver com quem não me respeita e tem de mim a imagem de mais um velho, de alguém que se pode abusiva e irresponsavelmente tirar direitos e aumentar deveres.
É lamentável que o senhor Ministro das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações - com diretos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de Excel ou por ordens "superiores", nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.
Acima de tudo, Senhores Ministros, o que mais me agride nem é o facto dos senhores prometerem resolver a coisa, e nada fazer, porque isso já é característica dos governos: o anunciar medidas e depois voltar atrás. Também não é o facto de pôr em dúvida a minha honestidade intelectual, embora isso me magoe de sobremaneira. É sobretudo o nojo pela forma como os seus serviços se dirigem aos contribuintes, tratando-nos como criminosos, ou potenciais delinquentes, sem olharem  para trás, com uma arrogância autista que os leva a não verem que há um tempo para tudo, particularmente para serem educados com quem gera riqueza neste país, e naquilo que mais me toca em especial, que já é tempo de serem respeitadores da importância dos artistas, e que devem sê-lo sem medos e invejas desta nossa capacidade de combinar verdade cénica com artifício, que é no fundo esse nosso dom de criar, de ser co-autores, na forma, dos textos que representamos.
Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já.
Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito. porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!
 
RUY DE CARVALHO"