30/08/13

SOLDADOS DA PAZ...

 De criança, ainda bem pequenino, habituei os meus ouvidos a ouvir as sirenes dos Bombeiros da minha cidade natal. Quando os carros saíam do Quartel  para irem prestar o socorro, as sinetas a tilintar, as sirenes a lançar estridentes sons que pareciam dizer 'Vamos a caminho! Aguentem firmes que já estamos a chegar!', com os pneus a chiar nas curvas que tinham de fazer a caminho da catástrofe, como sentia orgulho naqueles Homens, que faziam jus à sua divisa "VIDA POR VIDA". Era nesses momentos que diziam, ufano, para quem me queria ouvir:
'Quando crescer quero ser Bombeiro'!
                                                                                                       
Penso ser o Bombeiro a figura que mais admiro, por tudo quanto representa o seu trabalho na insana batalha do combate aos incêndios que, seja por incúria das pessoas seja por meios  naturais ou acidentais, vão delapidando o pulmão deste País, já tão martirizado com a crise económica e de valores humanos, mas que tem agora de sofrer os efeitos da sanha criminosa de alguns que apenas esperam obter vinganças através do incêndio, ou então têm como distração o olhar o céu coberto de nuvens de fumo, enquanto as matas vão ardendo... ardendo, para gáudio de alguns madeireiros sem escrúpulos ou agentes imobiliários em busca de terrenos baratos para erguerem mais uns tantos mamarrachos, não importa a que preço.
É com tristeza que vejo Portugal reduzido a cinzas. Na aproximação dos tempos Pascais há sempre um dia especial de penitência,  a Quarta Feira de Cinzas simboliza o despojamento do homem de tudo quanto seja pecado, pois as cinzas são um sinal de que o mal foi vencido, ficando apenas as suas cinzas. Acontece que as cinzas com que Portugal está coberto não são de redenção mas de destruição, porque são causa de dor, de tragédia, de lágrimas, de luto, porque os incêndios vão ceifando vidas umas atrás das outras.

Haverá quem diga que não tem nada a ver com o assunto, que paga os seus impostos e deverá ser o Estado a zelar pelas pessoas e bens, providenciando a limpeza das matas... e até há uma certa razão nisso, pois grande parte das matas nacionais, que deveriam ter cuidados garantidos, não é limpa e até chega a acontecer a Guarda Republicana deter pessoas que vão buscar mato para fazer a cama do gado. Em vez de incentivar a limpeza, interessa é a multa, porque está a delapidar bens do Estado.
E depois ficam admirados quando o fogo torna órfã uma criança como a que vemos feliz ao colo da sua Mãe... porque esta, a Bombeira Ana Rita Pereira, dos Bombeiros de Alcabideche, pereceu no incêndio de Tondela!
Hoje continua a minha admiração por estes 'Soldados da Paz', porque a sua doação à causa do próximo é por demais notória!
Eles são dignos de ser lembrados, não só quando nos deixaram, chamados para descansar no Paraíso a que fizeram jus, mas também quando as forças lhes começam a fenecer e chega o tempo de repousar das baforadas de fumo, do esbraseado das chamas, dos caminhos ignotos que houveram de vencer para que as chamas sejam eliminadas, do suor a escorrer-lhes do rosto enfarruscado pelas cinzas, da sede que lhes queima as entranhas, mas que não os deixa desistir, porque é preciso vencer, hoje e sempre ! 
Os Bombeiros de Portugal merecem uma sentida homenagem de gratidão por tudo o que são, por tudo o que fazem, por tudo o que valem!

06/08/13

É DO PAÍS... OU DO MUNDO?



Aqui há uns tempos atrás, li um artigo em que alguém dizia ter 70 anos e estar cansado, o que não é de admirar nos tempos que correm, como bem posso testemunhar porque também tenho 70 anos e levei uma vida de trabalho a todos os títulos cansativa, mas de algum modo compensadora, porque vim a encontrar os suportes de vida capazes de me darem o alento necessário na pessoa da  esposa que tenho ao meu lado e dos frutos do amor que se configuram nos filhos.
Também eu tive a dita ou desdita de fazer o Serviço Militar no início da década de 60, precisamente um período em que a aventura africana se fazia sentir na Guerra que Portugal travava em África contra um inimigo que teimava em lutar pela sua emancipação, farto do jugo colonial.
Quando os senhores da guerra julgaram pertinente, fui passear até Angola, para conhecer as terras do café, do algodão e do sisal, se bem que fosse mais aliciante ter ido à caça de 'feijão' nas Lundas do que dos leões no Namibe ou do elefantes do Congo português, que sempre tinham marfim para comercializar... os que ainda o tinham.
Como a guerra até nem era para ganhar, pois alguns viviam dela, regressei e estive a descansar a beleza até ser enviado para Moçambique, pois o 'tio' Samora estava a precisar de quem lhe desse o tal puxão de orelhas... e talvez os senhores do País julgassem ser eu a pessoa para travar a FRELIMO.
Voltei da guerra traído e mal pago, ficando a fazer tempo até que me fosse dado um pouco de 'justiça' monetária, como compensação dos anos de juventude perdidos no meio do mato.
Reformado e mal pago,  cansa ouvir dizer que tenho que "distribuir a riqueza" pelas pessoas que não querem trabalhar e vivem da subsidiodependência, com o malfadado Governo ou o que o deveria ser a ficar com o dinheiro que eu ganhei, utilizando a força do Fisco, se necessário, pois pretende dá-lo aos vagabundos que têm  preguiça de o ir ganhar.
Vou aos arames quando ouço dizer que os toxicodependentes são pessoas doentes,  tendo que ajudar no seu tratamento e pagar pelos prejuízos que causam, quando são eles próprios a  procurar a sua desgraça. Não há nenhum vírus que os tenha  agarrado ou  bombeou pó branco para as suas narinas ranhosas ou injectou à força qualquer porcaria nas suas veias.
E aquelas espécies de humano, machos e fêmeas, que se enchem de pregos, pins ou tatuagens abomináveis, engrossando assim o mercado dos sem emprego que vivem a expensas do governo, que lhes paga daquilo que  leva dos impostos dos que trabalham ou estão na situação de reformados.
Não sei se é uma imposição, uma maldição ou uma alucinação, mas o certo é que a epidemia está a espalhar-se, não sendo já um fenómeno português mas sim uma epidemia capaz de matar  as esperanças de um amanhã para os Povos.