20/12/13

NESTE NATAL...


Que vou poder desejar
a não ser as BOAS FESTAS?
É nisso que estou a pensar,
porque num mundo em mudança
queres melhores coisas que estas
que vêm renovar-nos a esperança?
Que o Deus Menino nascido,
ao renovar o Seu nascimento
  dê Vida com algum sentido...
a este Mundo em tormento!
Que nos dê um Santo Natal,
um Novo Ano com sentido,
e nos mostre hoje, afinal,
que valeu a pena ter vivido!

29/11/13

UMA QUESTÃO DE FÉ...

 
 
 Em Portugal perdeu-se a FÉ, ou então qualquer coisa nas relações entre o Céu e a Terra estará deligado, algum fio condutor estará fora do sítio e não há nenhum 'electricista', que perceba de altas ou baixas tensões, que consiga trazer a luz a este País que, por causas mais que conhecidas, continua à espera de uma luzinha ao fundo do túnel capaz de lhes iluminar a democracia.
Os Correios de Portugal, talvez pela dimensão empresarial, sempre foi um petisco apetecido pelo empresariado, seja para enriquecer o património da empresa que ambiciona calhar-lhe em sorte tal diamante, seja para enriquecimento pessoal, como tantos têm desejos que são mais que evidentes.
Depois... os trabalhadores começam a ter medo das consequências de uma privatização, pois as baldas ao trabalho estarão mais condicionadas, deixando os 'carteiros' da nossa praça de ter tempo para exercer o seu 2º. emprego no restaurante do amigo da 'Tropa' ou do conterrâneo, seja a servir às mesas ou atrás do balcão a tirar bicas e a servir bagaços.
É uma chatice... pelo que a melhor maneira é pedir às centrais sindicais uma mãozinha e decretar uma greve - mais uma -, que os Sindicatos ainda têm fundo de maneio para garantir o vencimento perdido pelo dia de trabalho não ganho.
A imagem acima reproduzida não é uma montagem nem fotografia para o fotógrafo imortalizar o seu trabalho, mas sim um dos pontos mais altos na vida de um Militar, como é o beijar a Bandeira Nacional que jurou servir, mesmo com o sacrifício da própria vida!
Não se trata de "folclore para turista ver", mas sim de um sinal inequívoco de que ser Militar não é ser uma pessoa como as demais mas sim alguém que sabe e pode dizer, com propriedade, " ESTA É A DITOSA PÁTRIA MINHA AMADA...". 

 Estranha-se que alguém, que já foi responsável pelos destinos do País, possa ter a ousadia de falar como o obsoleto doutor Mário Alberto Nobre Soares, que não se convenceu ainda já ter passado o prazo de validade há muito tempo, a não ser por completa senilidade, como parece ser o caso.
Não estou a ver esta pessoa estar no seu perfeito juízo, sabendo que é useiro e vezeiro em deitar da boca para fora expressões como "Ó senhor Guarda... desapareça daqui para fora...";  "Pagar multa? Isso é que era bom! Eu mando para o Governo e eles que paguem..."; "O Governo e o Presidente da república estão à espera de quê? Demitam-se antes que o Povo os corra à paulada!" e outros mimos similares, igualmente demonstrativos da democracia de que tem a alma cheia!
Quem queima a Bandeira em Londres...
 

Está à porta mais um dia 1º. de Dezembro, dia em que se comemora a Restauração de Portugal.
Depois de 40 anos de ocupação do Trono de Portugal pelos castelhanos, D. João IV  foi aclamado Rei , mas teve que sofrer os ataques castelhanos na chamada 'Guerra da Restauração'.
Durante muitos anos este dia era feriado Nacional, mas as coisas viraram-se e valores mais altos se levantaram: FOI EXTINTO O FERIADO DO 1º. DE DEZEMBRO... porque o Governo não gostava dele, vá lá saber-se porquê!
Mas temos de ter fé de que tudo volte a mudar e se volte a ouvir cantar o Hino da Restauração! Acredito que esse dia chegará, nem que seja como o D. Sebastião, num dia de nevoeiro!

01/11/13

NO DIA DO CORPO DE DEUS...

 
 A festividade  do dia de Todos os Santos ( no inglês =Halloween), acontece "quando todos os santos constantes  da Bíblia ( e no Santoral ) se reúnem na Assembleia do Primeiro Salmo de David, conforme a tradição Celta, anglo-inglesa e também portuguesa, uma vez que Portugal chegou a ser solo inglês", celebra-se em honra de todos os Santos e Mártires, "conhecidos ou não". ( Apocalipse 22).
 A Igreja Católica celebra a Festum omnium sanctorum a 01 de Novembro, a que se segue o Dia de Fiéis Defuntos, logo no dia 02 de Novembro. 
Na cultura católica a festa inicia-se no dia 31 de outubro de manhã e finda ao entardecer do dia 2 de novembro, segundo tradição.
 A Igreja Ortodoxa celebra esta festividade no primeiro Domingo depois do Pentecostes, fechando a época litúrgica da Páscoa .
Na Igreja Luterana  é celebrado o dia  principalmente para lembrar que todas as pessoas batizadas são santas e também aquelas pessoas que faleceram no ano que passou.
Em Portugal, no dia de Todos-os-Santos as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos bandos para pedir o Pão-por-Deus de porta em porta.
As crianças quando pedem o Pão-por-Deus recitam versos e recebem como oferenda: pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocam dentro dos sacos de pano que trazem pendurado no ombro. É também costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo aos afilhados, o Santoro.
Em algumas povoações é tradição chamar-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’ ou 'Dia do Bolinho' e esta tradição já era registada no século XV, tendo  origem no ritual pagão do culto dos mortos, com raízes milenares. Em 1756, 1 ano após o terremoto que destruiu Lisboa, ocorrido em 1º de Novembro de 1755 e em que morreram milhares de pessoas e a população da cidade - na sua maioria pobre - ainda mais pobre ficou, mas  ainda assim se cumpriu a tradição.
Como a data do terramoto coincidiu com uma data com significado religioso (1 de Novembro), de forma espontânea, no dia em que se cumpria o primeiro aniversário do terramoto, a população aproveitou a tradição para desencadear, por toda a cidade, um peditório, com a intenção de manter essa tradição que lembrava os seus mortos.
 
As pessoas, percorriam a cidade, batiam às portas e pediam que lhes fosse dada qualquer esmola, mesmo que fosse pão, dado grassar a fome pela cidade. E as pessoas pediam: "Pão por Deus".
Noutras zonas do país, foram surgindo variações quanto à forma e ao nome da comemoração.
Nas décadas de 60 e 70 do séc. XX, a data passou a ser comemorada, mais de forma lúdica, do que pelas razões que criaram a tradição e havia regras básicas, que eram escrupulosamente cumpridas:
         * Só podiam pedir o "Pão-por-Deus", crianças até aos 10 anos de idade (com idades superiores   as pessoas recusavam-se a dar).
         * As crianças só podiam andar na rua a pedir o "Pão-por-Deus" até ao meio-dia (depois do meio-dia, se alguma criança batesse a uma porta, levava um "raspanete", do adulto que abrisse a porta).
A partir deste ano de 2013, por decisão governamental,  foi retirado da lista dos feriados comemorados em Portugal.
Lista do cantochão entoado pelas crianças, a pedir o "Pão-por-Deus":

"Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus."


Ou então:
"Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz


Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
P´ra vir dar um tostãozinho."


"Ó tia dá bolinhos,
pela alma dos seus santinhos?"

Quando os donos da casa dão alguma coisa:
"Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho."


Quando os donos da casa não dão nada:
"Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto."
 

03/10/13

CULTURA À PORTUGUESA

Se alguém duvida da insanidade do (des) Governo de Portugal, basta lêr com atenção e aperceber-se  de como são tratados os 'outros', aqueles que não têm o grande desígnio de serem protegidos pelos caciques (?), para não chamar biltres, que se pavoneiam pelo Palácio de São Bento e a todos vão roubando os parcos cêntimos que governações miseráveis vão deixando para os famintos... que não só de pão, mas de justiça a todos os níveis. Mas vão acontecer mais eleições, por isso... deixem-nos pousar, sim? Querem mudar os nomes das categorias profissionais... que tal por começarem pela mudança de 'membro do Governo' para 'chulo do Povo'?
"Ainda há quem se faça ouvir pela palavra, pela escrita, pelos gestos ou nada dizer e tudo dizer.. APLAUDO O DESASSOMBRO E A CORAGEM!!! Para um GRANDE, o meu aplauso DE PÉ!
Ruy de Carvalho é, nos dias que correm, um homem que, finalmente, aprendeu com quem estava a lidar. Bateu-lhe à porta. E à porta de outros irá ainda bater. Para que também aprendam.
Num texto publicado ontem no Facebook, o veterano actor revela-se indignado com o ministro das Finanças, que acusa de "institucionalizar o roubo", perante "o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República"."
Ministra das Finanças
 

Secretário de Estado da Cultura

Ruy de Carvalho esclarece que decidiu manifestar a sua indignação depois de ter recebido uma carta das Finanças que indica que já não é "artista" e passou a ser apenas "prestador de serviços", deixando de ter direitos conexos e de propriedade intelectual.
Eis a carta:

Ruy de Carvalho condecorado...
 
 "Senhores Ministros:
Tenho 86 anos, e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros, sem pedir nada em troca senão respeito, consideração, abertura - sobretudo aos novos talentos - e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel como cidadão e como artista.
 Vivi a guerra de 38/45 com o mesmo cinto com que todos os portugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização.
Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.                                                       

 Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei.
 Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional.
Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.
Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas destes país - colegas que muito prezo e gostava de poder defender.
Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante.
Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?
Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na  lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.
 Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero. a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.
É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!
É infame que o Direito e a Jurisprudência Comunitárias sirvam só para sustentar pontualmente as mentiras e os joguinhos de poder dos responsáveis governamentais, cujo curriculum, até hoje, tem manifestamente dado pouca relevância ao contexto da evolução sociocultural do nosso povo. A cegueira dos senhores do poder afasta-me do voto, da confiança política, e mais grave ainda, da vontade de conviver com quem não me respeita e tem de mim a imagem de mais um velho, de alguém que se pode abusiva e irresponsavelmente tirar direitos e aumentar deveres.
É lamentável que o senhor Ministro das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações - com diretos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de Excel ou por ordens "superiores", nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.
Acima de tudo, Senhores Ministros, o que mais me agride nem é o facto dos senhores prometerem resolver a coisa, e nada fazer, porque isso já é característica dos governos: o anunciar medidas e depois voltar atrás. Também não é o facto de pôr em dúvida a minha honestidade intelectual, embora isso me magoe de sobremaneira. É sobretudo o nojo pela forma como os seus serviços se dirigem aos contribuintes, tratando-nos como criminosos, ou potenciais delinquentes, sem olharem  para trás, com uma arrogância autista que os leva a não verem que há um tempo para tudo, particularmente para serem educados com quem gera riqueza neste país, e naquilo que mais me toca em especial, que já é tempo de serem respeitadores da importância dos artistas, e que devem sê-lo sem medos e invejas desta nossa capacidade de combinar verdade cénica com artifício, que é no fundo esse nosso dom de criar, de ser co-autores, na forma, dos textos que representamos.
Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já.
Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito. porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!
 
RUY DE CARVALHO"

30/08/13

SOLDADOS DA PAZ...

 De criança, ainda bem pequenino, habituei os meus ouvidos a ouvir as sirenes dos Bombeiros da minha cidade natal. Quando os carros saíam do Quartel  para irem prestar o socorro, as sinetas a tilintar, as sirenes a lançar estridentes sons que pareciam dizer 'Vamos a caminho! Aguentem firmes que já estamos a chegar!', com os pneus a chiar nas curvas que tinham de fazer a caminho da catástrofe, como sentia orgulho naqueles Homens, que faziam jus à sua divisa "VIDA POR VIDA". Era nesses momentos que diziam, ufano, para quem me queria ouvir:
'Quando crescer quero ser Bombeiro'!
                                                                                                       
Penso ser o Bombeiro a figura que mais admiro, por tudo quanto representa o seu trabalho na insana batalha do combate aos incêndios que, seja por incúria das pessoas seja por meios  naturais ou acidentais, vão delapidando o pulmão deste País, já tão martirizado com a crise económica e de valores humanos, mas que tem agora de sofrer os efeitos da sanha criminosa de alguns que apenas esperam obter vinganças através do incêndio, ou então têm como distração o olhar o céu coberto de nuvens de fumo, enquanto as matas vão ardendo... ardendo, para gáudio de alguns madeireiros sem escrúpulos ou agentes imobiliários em busca de terrenos baratos para erguerem mais uns tantos mamarrachos, não importa a que preço.
É com tristeza que vejo Portugal reduzido a cinzas. Na aproximação dos tempos Pascais há sempre um dia especial de penitência,  a Quarta Feira de Cinzas simboliza o despojamento do homem de tudo quanto seja pecado, pois as cinzas são um sinal de que o mal foi vencido, ficando apenas as suas cinzas. Acontece que as cinzas com que Portugal está coberto não são de redenção mas de destruição, porque são causa de dor, de tragédia, de lágrimas, de luto, porque os incêndios vão ceifando vidas umas atrás das outras.

Haverá quem diga que não tem nada a ver com o assunto, que paga os seus impostos e deverá ser o Estado a zelar pelas pessoas e bens, providenciando a limpeza das matas... e até há uma certa razão nisso, pois grande parte das matas nacionais, que deveriam ter cuidados garantidos, não é limpa e até chega a acontecer a Guarda Republicana deter pessoas que vão buscar mato para fazer a cama do gado. Em vez de incentivar a limpeza, interessa é a multa, porque está a delapidar bens do Estado.
E depois ficam admirados quando o fogo torna órfã uma criança como a que vemos feliz ao colo da sua Mãe... porque esta, a Bombeira Ana Rita Pereira, dos Bombeiros de Alcabideche, pereceu no incêndio de Tondela!
Hoje continua a minha admiração por estes 'Soldados da Paz', porque a sua doação à causa do próximo é por demais notória!
Eles são dignos de ser lembrados, não só quando nos deixaram, chamados para descansar no Paraíso a que fizeram jus, mas também quando as forças lhes começam a fenecer e chega o tempo de repousar das baforadas de fumo, do esbraseado das chamas, dos caminhos ignotos que houveram de vencer para que as chamas sejam eliminadas, do suor a escorrer-lhes do rosto enfarruscado pelas cinzas, da sede que lhes queima as entranhas, mas que não os deixa desistir, porque é preciso vencer, hoje e sempre ! 
Os Bombeiros de Portugal merecem uma sentida homenagem de gratidão por tudo o que são, por tudo o que fazem, por tudo o que valem!

06/08/13

É DO PAÍS... OU DO MUNDO?



Aqui há uns tempos atrás, li um artigo em que alguém dizia ter 70 anos e estar cansado, o que não é de admirar nos tempos que correm, como bem posso testemunhar porque também tenho 70 anos e levei uma vida de trabalho a todos os títulos cansativa, mas de algum modo compensadora, porque vim a encontrar os suportes de vida capazes de me darem o alento necessário na pessoa da  esposa que tenho ao meu lado e dos frutos do amor que se configuram nos filhos.
Também eu tive a dita ou desdita de fazer o Serviço Militar no início da década de 60, precisamente um período em que a aventura africana se fazia sentir na Guerra que Portugal travava em África contra um inimigo que teimava em lutar pela sua emancipação, farto do jugo colonial.
Quando os senhores da guerra julgaram pertinente, fui passear até Angola, para conhecer as terras do café, do algodão e do sisal, se bem que fosse mais aliciante ter ido à caça de 'feijão' nas Lundas do que dos leões no Namibe ou do elefantes do Congo português, que sempre tinham marfim para comercializar... os que ainda o tinham.
Como a guerra até nem era para ganhar, pois alguns viviam dela, regressei e estive a descansar a beleza até ser enviado para Moçambique, pois o 'tio' Samora estava a precisar de quem lhe desse o tal puxão de orelhas... e talvez os senhores do País julgassem ser eu a pessoa para travar a FRELIMO.
Voltei da guerra traído e mal pago, ficando a fazer tempo até que me fosse dado um pouco de 'justiça' monetária, como compensação dos anos de juventude perdidos no meio do mato.
Reformado e mal pago,  cansa ouvir dizer que tenho que "distribuir a riqueza" pelas pessoas que não querem trabalhar e vivem da subsidiodependência, com o malfadado Governo ou o que o deveria ser a ficar com o dinheiro que eu ganhei, utilizando a força do Fisco, se necessário, pois pretende dá-lo aos vagabundos que têm  preguiça de o ir ganhar.
Vou aos arames quando ouço dizer que os toxicodependentes são pessoas doentes,  tendo que ajudar no seu tratamento e pagar pelos prejuízos que causam, quando são eles próprios a  procurar a sua desgraça. Não há nenhum vírus que os tenha  agarrado ou  bombeou pó branco para as suas narinas ranhosas ou injectou à força qualquer porcaria nas suas veias.
E aquelas espécies de humano, machos e fêmeas, que se enchem de pregos, pins ou tatuagens abomináveis, engrossando assim o mercado dos sem emprego que vivem a expensas do governo, que lhes paga daquilo que  leva dos impostos dos que trabalham ou estão na situação de reformados.
Não sei se é uma imposição, uma maldição ou uma alucinação, mas o certo é que a epidemia está a espalhar-se, não sendo já um fenómeno português mas sim uma epidemia capaz de matar  as esperanças de um amanhã para os Povos.
 

14/07/13

PENSANDO...


 "Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
pedrarias de astros, gemas de luar...
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!...
Minha velha ama, sou um pobrezinho...
Canta-me cantigas de fazer chorar!...

 Canta-me cantigas manso, muito manso...
tristes, muito tristes, como à noite o mar...
Canta-me cantigas para ver se alcanço
que a minha alma durma, tenha paz, descanso,
quando a morte, em breve, ma vier buscar!"


do REGRESSO AO LAR
de Guerra Junqueiro

Dei comigo pensando, não em voz alta, como muito gostaria, mas de forma silenciosa, com algum temor de que outros tempos estejam a ser revividos, quando crianças ingénuas nos via-mos a caminhar para a Escola, pés gretados pelo frio do Inverno ou queimados pela inclemência do sol, a sacola de sarja ou serapilheira, a 'pasta' de cartão comprada na Feira de Março, a maçã que a macieira à beira do caminho fez questão de derrubar, ou talvez fosse o vento, não sei... apenas sei que nada é como hoje, pois não é necessário apanhar a maçã do chão empoeirado, que limpamos no calção surrado pela poeira que agarra ao suor da caminhada! Não! Hoje há uma cantina na Escola, não são permitidas reguadas ou toques de ponteiro de madeira ou cana-da-Índia, há sapatos ou 'ténis' para todos... e até o 'Magalhães' nos vem mostrar como estava atrasado o ensino que nos calhou na rifa.
Mas os anos passam... e a saudade dos tempos de criança é enorme, pois até fui uma criança feliz no meio da pobreza então vivida.
Dou comigo a citar Guerra Junqueiro, que os jovens de hoje ignoram quem tenha sido, e aos meus lábios chegam as palavras ditas:
' Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu saudoso, carinhoso lar!...
Foi há vinte?...há trinta?
Nem eu sei já quando!...
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas para eu me lembrar!...
.
Dei a volta ao mundo, dei a volta à Vida...
Só achei enganos, decepções, pesar...
Oh! a ingénua alma tão desiludida!...
Minha velha ama, com a voz dorida,
Canta-me cantigas de me adormentar!...'
 
Guerra Junqueiro apenas se enganou num interveniente, pois não havia muitas hipóteses de as famílias de modestos recursos terem uma ama para os filhos, mas estes tinham na família quem os amava, quem lhes cantava cantigas de embalar... porque o amor dos pais era feito de carinho, coragem, força e muita fé no porvir, tal como o amor  fraterno era forte  como o aço, imperecível porque caldeado naquela poção mágica chamada FAMÍLIA.

 
Aquela confiança, de maneira
Que encheu de fogo o peito, os olhos de água,
Por que eu ledo passei por tanta mágoa,
Culpa primeira minha e derradeira,

.
De que me aproveitou? Não de al por certo
Que dum só nome tão leve e tão vão,
Custoso ao rosto, tão custoso à vida.


Soneto
Sá de Miranda

Termino citando Sá de Miranda, porque ele dá conta de que terá de ser sempre o Homem, em todas as circunstâncias, a retirar os escolhos que lhe vão aparecendo nos caminhos da vida. Porque quem confia demasiado pode sentir o fogo ardendo no peito, mas as lágrimas desmentem a felicidade... ou talvez  não.
A vida é difícil... está difícil... não deixa que se aproveite na sua plenitude... mas são as coisas obtidas com sacrifício que reputamos de mais valiosas, porque são fruto do ACREDITAR! 

24/06/13

O DUELO CRATO X NOGUEIRA


Nunca tanto como agora me vem à ideia o que pode ser a manipulação de todo um Povo, como agora acontece.
Quando um célebre crânio do audiovisual, de seu nome Emílio Rangel, garantiu ser possível eleger ou derrubar um Governo com a força da Televisão, que me vou dando conta de que ele dizia a verdade nua e crua.
Vem isto a propósito da campanha que o jornal 'PÚBLICO' vem desenvolvendo em prol da FENPROF, como se fosse uma sucursal do boletim informativo desta, naquilo que respeita ao apoio à greve ao exames nacionais de Português, que ocorreram no pretérito dia 17 de Junho. Na fase em que se deu o crescendo final da polémica por se ir fazer greve em data tão inopturna, o jornal teve o desplante de tentar convencer a opinião pública, de uma forma absurda e desonesta, das teses  da FENPROF de que se os alunos não iam a exame a culpa não era da greve marcada pelos Sindicatos para aquele dia, mas do Ministro da Educação, que não quis atender à marcação da greve e adiar os exames para outro dia.
Como se tivesse sido o Ministro a marcar os exames nacionais para uma data que a FENPROF já havia reservado e não o contrário.
O Ministro não pode estar às ordens da FENPROF, não se deve curvar perante o quero, posso e mando de um qualquer Mário Nogueira e seus marionetes, que não é toda a classe, felizmente.
 

Estar a "fazer isso era estar a sujeitar-se a ter de jogar ao gato e ao rato com o sr. Mário Nogueira, com total desprestígio do Ministério  e total desconsideração pelos alunos.
Sem pensar em esmorecer, o “Público” deu o seu melhor para nos tentar convencer de que no espírito dos sindicatos jamais esteve qualquer intenção de prejudicar os exames ou os alunos, e que quem os tomava por reféns era sim o Ministro — como tão brilhantemente foi explicado pelo outrora professor Mário Nogueira.
O facto de a greve sectorial ter sido agendada para a data do exame nacional de português, a greve geral para a data do exame nacional de matemática, e ambas concorrendo com as greves às avaliações (que duram já há duas semanas e prometem continuar) seria apenas uma  coincidência, uma distracção dos sindicatos, que, de forma alguma, pretenderam utilizar os alunos como instrumentos indefesos das suas reivindicações. Oh, não, de forma alguma!
Sucedeu, entretanto, que Nuno Crato teve também uma ideia simples e brilhante: convocou todos os professores para vigiarem os exames. Essa decisão — que o “Público”, sem temer o ridículo, não deixou de ecoar como uma “violação do direito à greve” — permitiu ao sr. Mário Nogueira proclamar “mais de 90% de adesão à greve”, enquanto os dados oficiais registavam que mais de três quartos dos alunos tinham conseguido fazer exame (embora também nos tivessem garantido que eles estavam solidários com a greve dos professores...).
 Perante estes dados, um jornal a sério teria escrito como título da notícia: “Greve não impede 76% dos exames”.
  Ou, se quisesse adoptar a lógica sindical: “Crato derrota Fenprof”. Mas o “Público” é o “Público” e eis a sua manchete de terça-feira: “Pais e directores condenam desigualdade nos exames”. E, em subtítulo: “Pelo menos 20.000 alunos não fizeram exame e foram denunciadas inúmeras irregularidades”.
Agora, os factos invocados: a “desigualdade” consiste em haver alunos que fizeram exame a 17 de Junho e outros que o vão fazer a 2 de Julho; os “pais” eram dois dirigentes das inúmeras associações de pais existentes, de norte a sul e seguramente escolhidos a dedo, porque eu ouvi outros dizer o oposto do relatado no jornal; os “directores” eram também dois directores de outras tantas inúmeras associações nacionais e por acaso coincidentes com as posições da Fenprof.
E as “irregularidades” (invocadas pela Fenprof e ecoadas pelo “Público”), eram tão ridículas como o facto de numa escola se terem ocupado menos salas do que previsto, noutra ou noutras se terem iniciado os exames 15 minutos depois da hora marcada e noutras, alegadamente, os exames terem sido vigiados por quem, segundo a Fenprof, “não tinha formação para tal” (será preciso tirar um curso para vigiar um exame?).
Ou seja, e resumindo: a derrota custou muito a digerir. À Fenprof e ao “Público”.
No primeiro caso, entende-se; no segundo, sinceramente, lamenta-se. Mas cada um escolhe a corda com que se quer enforcar."
Miguel Sousa Tavares - EXPRESSO

16/06/13

10 de Junho - Homenagem ao Combatente...

Elvas, a cidadela militar alentejana Património, vestiu galas e 'pintou-se' com as cores nacionais para comemorar o Dia de Portugal, de Camões, das Comunidades,  da Peregrinação Internacional das Crianças a Fátima... tudo o que as cabeças pensantes do 'Reino de Portugal' houverem por bem comemorar, pois nunca é demais recordar que já é antigo o uso do 'pão e circo' para calar as gargantas daqueles que barafustam porque a vida está pela hora da morte.
O Presidente da República congregou as forças vivas à sombra do centenário aqueduto elvense, as bandas militares deram o toque que as circunstâncias exigiam, os Militares, poucos como a 'Tróika' exige, vestiram-se de gala e brio, o Povo teve ensejo de vaiar o Presidente e o Primeiro Ministro, para que a festa fosse completa, chegando ao ponto de choverem impropérios  populares durante o Hino Nacional, que se desrespeita de forma acintosa... porque sim!

Por iniciativa do Presidente da República, como já havia feito no ano anterior, foram incorporados no desfile alguns antigos Combatentes das Guerras do Ultramar, em clara tentativa de desvalorizar a cerimónia que, à mesma hora, estava a decorrer em Lisboa, junto ao Memorial dos Combatentes. Aqui estavam realmente os Combatentes do Ultramar e não um grupo de Combatentes escolhidos pela Presidência da República ou alguém por ela.  
Foram convidados de honra a Câmara Municipal de Lisboa, todas as Chefias Militares, os militares agraciados com a Ordem Militar da Torre e Espada, o Comando Geral da GNR, a Direcção Nacional da PSP, os Presidentes das Associações de Combatentes, o Secretário Executivo da CPLP e os Adidos Militares ou Culturais junto das embaixadas da CPLP.
A cerimónia teve a dignidade que a saudade daqueles que ali estão evocados merece.
A fundadora e Presidente do Banco Alimentar contra a Fome, Drª. Isabel Jonet, foi a responsável pelo discurso de homenagem aos Combatentes, na cerimónia que ocorreu junto ao Memorial dos Combatentes, junto ao Forte do Bom Sucesso. .A dada altura do seu discurso, a Drª Jonet alertou  para os 'tempos difíceis' e 'intolerantes' que se estão a 'instalar' em Portugal,  especialmente no que respeita à liberdade de expressão e opinião, que estão a ser ameaçadas.
A Comissão Executiva das cerimónias  justificou o convite à Drª. Isabel Jonet porque é 'uma mulher de armas que não vira a cara à luta' e pretendeu-se recordar este ano o papel desempenhado pelas mulheres durante a Guerra no Ultramar.
'Constrangimentos com que alguns, nestes tempos difíceis e, estranhamente de novo intolerantes, que se vivem no nosso país, pretendem condicionar quem quer se seja e a propósito do que quer que seja, designadamente quando está em causa o exercício livre do mais elementar direito à intervenção cívica', afirmou a responsável do Banco Alimentar. 
 Quando lhe foi perguntado pelos jornalistas, no final da cerimónia, Isabel Jonet escusou-se a concretizar ao que se referira, mas reiterou que a liberdade de expressão pode estar ameaçada.
'Hoje, algumas liberdades parecem até estar ameaçadas por pessoas que, com convicções diferentes, não deixam a todos manifestar-se por aquilo em que acreditam', frisou.
Sobre a situação do país, disse que Portugal atravessa 'um momento muito difícil', apelando à união de todos para  'manter a liberdade e independência' que tantos  séculos levou a conquistar.
'É momento de encarar com realismo que temos de estar juntos porque a situação assim o exige. (..).Penso que há solução à vista e, apesar de tudo, já se nota alguma diferença na situação atual', disse.
Quanto ao facto de haver ex-combatentes a viverem em situações de dificuldade económica, Isabel Jonet admitiu que o Banco Alimentar apoia associações que estão a auxiliar antigos combatentes.

05/06/13

PORTUGALMENTE FALANDO:


Em Portugal nada é o que parece, mas tudo aparenta ser aquilo que não devia.
Não estou a fazer apenas conversa de ocasião, mas a exprimir a convicção que me fica de cada vez que paro um pouco para pensar: QUE MUDOU NO MEU PAÍS PARA QUE ELE SEJA ESTA IMAGEM DE CAOS QUE O QUOTIDIANO NOS VAI MOSTRANDO?

A resposta não será fácil de assimilar, mas julgo que a  maior mudança se prende com a credibilidade do Homem, enquanto 'matéria prima' necessária para promover a evolução de que  o País carece, porquanto é o Homem o principal promotor da falha verificada em todos os parâmetros da construção societária, que acredito poderá vir a preconizar o  nosso futuro, vá  lá bem  saber-se quando, como e porquê.
Talvez a resposta seja fácil, presumo: O POVO PORTUGUÊS NÃO GOSTA DE SER LEVADO COM CONVERSAS, APESAR DE DAR OUVIDOS AO LÍDER DO PARTIDO X  OU DA CENTRAL SINDICAL Y...  e aí começa um caminho eivado de perigos vários, porque nem sempre a pretensa razão está patente naquilo que se diz.

Não sei se é verdade, mas diz-se que a demagogia política tem sido levada à prática em Portugal com um grau de eficiência... eficiente por demais.
Se não há trabalho em Portugal.... alguém já procurou encontrar uma solução que não seja recorrer à esperteza saloia, ao esquema  sórdido ou ao roubo mais sofisticado?
Conheço muitos casos emblemáticos daquilo que afirmo, pois há histórias mirabolantes de 'empresários' da construção civil  cujas  sedes estavam instaladas numa carrinha, que servia de escritório, transporte dos trabalhadores e o que mais necessário fosse. A central telefónica estava a  funcionar num qualquer telefone portátil, que o mantinha sempre contactável... até para fugir aos credores.
Como não pensavam pagar ao 'fisco' aquilo que seria devido pagar, apenas tratavam de guardar aqueles  documentos que estavam  relacionados com os trabalhos que no momento tinham em mão. Os fornecedores iam esperando pacientemente pela liquidação da facturas... mas no endereço dado nunca se conseguiam contactar os 'clientes devedores'.
Também há o caso de haver vários familiares inscritos, na 'folha de vencimentos', que nunca foram sequer à obra, pois a ideia seria 'acederem' ao 'quadro de desempregados'   sem problemas de maior.
O cântaro tanto vai à fonte que um dia lá deixa a asa, pelo que a 'empresa' terá de fechar as portas quando deixarem de ter êxito os 'calotes' que se foram acumulando. As penhoras vão-se seguindo, umas após as outras, sem que se veja qualquer luz ao fundo do túnel.
E nos trabalhadores desempregados vamos encontrar tantos que viviam a cuidar da terra... ou dos mil e um esquemas que a vida os ensinou a usar para se safarem, nem que seja tornarem-se 'profissionais' do   subsídio de desemprego, que muitas vezes é de valor superior ao vencimento que possa ser auferido numa qualquer empresa que se proponha dar-lhes uma oportunidade de trabalho.

Sabe-se que a mecanização industrial e a informatização dos serviços veio dar um rude golpe na empregabilidade de alguns 'quadros' da fábrica ou do escritório. A utilização de sistemas mais complexos exigiu uma melhor formação académica... mas ninguém alguma vez ousou encontrar um agricultor detentor de um canudo da Escola Superior de Formação Agrária,, um sapateiro formado em engenharia industrial, um carpinteiro que cursou a Escola Superior de Técnicos da Manipulação de Madeiras ou um pescador licenciado em Biologia pela Universidade de Coimbra.
Cada macaco no seu galho, ouve-se dizer. Há licenciados a varrer as ruas de Lisboa, porque os papás não quiseram que o seu pimpolho viesse a vender copos de 3 na tasca lá da rua, como o pai fez durante anos, com a finalidade de poder 'dar' o canudo ao filhinho, que queria doutor.
A  Maria sempre lavou escadas, tratou da roupa das senhoras, limpou o pó, cozeu, varreu, humilhou-se... mas a sua filhinha não vai ter de suportar esta vida, porque está na Universidade a tirar o curso de doutora em qualquer coisa.

Só que sem os sapateiros andamos descalços, sem as lavadeiras, andamos sujos, sem cozinheiros passamos fome, sem alfaiates andamos nús, sem carpinteiros não teremos uma cadeira onde nos sentar. É que as próprias máquinas precisam da mão do homem, porque não são elas quem se programa.
Falar na máquina de lavar roupa ou louça não é resposta, pois também estas precisam da mão do homem para as fazer... e para as reparar.

Talvez fosse pertinente repensar este País. Parece que aqueles que têm a responsabilidade de o devolver a uma situação mais  meritória, mais consentânea com as necessidades das populações, têm encontrado bastantes dificuldades em chegar ao fundo dos problemas, porque quanto mais aprofundam a podridão com que se depararam, mais fundo têm de escavar, porque são podres de muitos anos e esta gente desespera por estar a pôr à mostra tudo de mau que foi sendo feito... em nome do Povo, que agora clama, clama, clama sem ouvir eco, porque este se perde na profundeza do poço em que estamos metidos.
As culpas... dividam as coisas como quiserem, porque nós  até temos muitas, devem ser assumidas por todos.

18/05/13

'...MAS AS CRIANÇAS, SENHOR...'

' - Olha... eu tenho aqui pão! Queres um bocadinho?'
' - Quero, sim... mas... tú não comes?'
' - Tu és mais pequenina, precisas mais, para cresceres!'
'- Sabes uma coisa? Quando eu era muito pequenina, ia com a minha mãe ao shoping e ela punha comida num saco e dava a umas pessoas que iam dar comida aos pobres... mas agora somos nós, em minha casa, quem tem de ir procurar os senhores que dão a comida... e muitas vezes não os encontramos, porque há muita gente com fome e  são poucos a dar comida!... Tenho medo...'
' - Eu também não tenho comida em casa, mas na minha escola como o almoço e um lanche. Quando sobeja, as senhoras lá da escola dão para levar para casa, e é assim que eu tenho este pão! '
 
Neste País onde muitos que se alimentam daquilo que encontram nos lixos daqueles que ainda podem dar-se ao luxo de deitar fora 'restos' de comida, sejam  particulares ou da restauração.
Já não há que ter vergonha de dizer que vai comer a 'Sopa do Barroso' ou do 'Sidónio'! Há necessidade de ampliar as acções beneficientes de refeitórios como o dos Anjos, que desde há muitos anos é um local de referência para os pobres de Lisboa!
Mas também há necessidade de que os grandes espaços comerciais, sejam eles alemães, franceses ou portugueses, deixem de inutilizar os produtos que estão em fim de validade, procurando que os pobres os não aproveitem, como infelizmente vai acontecendo!
É tempo de a Justiça deixar de aceitar queixas dessas superfícies, feitas contra um desgraçado rouba um paposseco de alguns cêntimos, apenas porque tem fome. E, para mais, com a agravante de se pedirem avultadas indemnizações, para um furto irrisório!
Considerando o facto de a Assembleia da República estar dotada com um dos mais 'ricos e luxuosos' restaurantes portugueses, com um cardápio digno de candidatura às celebradas estrelas Michelin, que premeiam a forma desabrida como alguns malbaratam num dia, em ostentação gastronómica, mais do que a maioria pode gastar numa vida,  para alimentar a família!
Ainda se os pobres Deputados recebessem o Salário Mínimo Nacional, que eles consideram suficiente para que 'os outros' sustentem as famílias, depois de deduzida a parte de leão que o Fisco reivindica para o Governo... que pouco falta para introduzir o imposto pelo ar que respiramos... cruzes canhoto!
 'Ainda quem é pecador,
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dôr,
  porque padecem assim?'   
                        "Augusto Gil"
Não é de hoje que o Povo português se vê confrontado com austeridade, com fome, com dificuldades tremendas, mas sempre se considerou não ser um Povo que baixe os braços! Trocou a escola pela enxada com que cava a terra, pela serventia nas obras, pela aprendizagem nos mais diversos oficios que se lhe foram deparando, pela fábrica onde operava as máquinas, pelo escritório onde se dedicava ao trabalho da escrituração ou da facturação. Emigrou... e mudou o pensamento e o estilo de vida:
O MEU FILHO, QUANDO CRESCER, VAI TER TUDO O QUE NÃO TIVE! NÃO VAI TRABALHAR PARA AS OBRAS MAS VAI SER DOUTOR OU ENGENHEIRO!
Hoje vemos crianças que olham o horizonte, procurando vêr, na luz do sol que nasce, alguma coisa parecida com futuro, com esperança, com dignidade, com paz... mas a solidariedade apenas funciona entre aqueles que nada têm, pois vão repartindo o pouco que Deus lhes deu com aqueles que têm tanto como eles!
Num País em que o Governo se dá ao luxo de esquecer que aquilo que vai retirando do fraco pecúlio dos reformados, não atinge apenas esses reformados, mas os seus filhos e netos, que se 'servem' das parcas moedas que o Fisco deixa aos reformados para conseguirem pagar a casa, a água, a luz, a alimentação... e aí começa a aparecer o espectro da fome, porque o que recebem não chega.
Os que têm pensões do regime não contributivo, porque  trabalharam para eles próprios e não cuidaram de fazer os descontos para a reforma, ou os que vivem dos subsídios que o Governo malbarata, têm melhores condições de sobrevivência que aqueles que levaram uma vida a descontar para uma reforma... que lhe vai sendo escamoteada por quem não vê onde estão os verdadeiros destruidores da economia portuguesa! 
As crianças devem ser olhadas como aquilo que são: O FUTURO DO PAÍS!
O legado que lhe estamos a deixar será de dignidade? Torna-se pertinente pensar nisso.

21/04/13

HÁ MISÉRIA EM PORTUGAL?


Quando se fala em miséria,  significa que estamos a falar de mendicidade, de um estado de penúria extrema. Miséria é uma expressão que hoje é usada com bastante pertinência, porque o Povo deste País sente carência das necessidades básicas para a sobrevivência.
Miséria, étimamente, também significa, lástima, vergonha, especialmente quando fazemos referência à qualidade de um serviço oferecido. Então, costumamos dizer: - A saúde pública está uma autêntica miséria, palavra que significa ainda mesquinhez, avareza, demasiado apego ao dinheiro ou que dà valorização demasiada aos bens materiais.
Pode-se ainda  empregar a expressão 'miséria'  para  se determinar um procedimento vil, ou seja, quando um indivíduo pratica algum acto com maldade, como também se chama 'miséria' a uma porção insignificante de qualquer coisa, que é uma ninharia ou uma bagatela, como é exemplo: - Os empregados recebem uma miséria.
Pode também ser usada  para se designar uma desgraça, um sofrimento intenso, um infortúnio.
Miséria é ainda usada para definir as fraquezas ou imperfeições do ser humano, como por exemplo: -  O vício é uma miséria.
No sentido figurado 'uma miséria', será algo insignificante, sem qualquer importância, muito mau, mas 'Fazer miséria' é uma expressão popular que significa fazer-se algo extraordinário,  admirável, mas também significa fazer porcarias, desordens ou praticar desatinos.
Cabe aqui perguntar: - Em Portugal há miséria? Em que grau?
Partimos do princípio que há uma desigualdade social gritante, e esta é uma razão para a divisão existente na sociedade, a partir do estatuto social de cada um de nós. É essa desigualdade social o resultado da forma como as pessoas vivem dentro do seu próprio País, pois há uma enorme divisão dos indivíduos a partir das classes sociais, demonstrando-se assim a desigualdade existente entre eles,  no campo económico, profissional ou até nas oportunidades.
A disparidade nos rendimentos entre os indivíduos existirá, existe e sempre existiu em todas as sociedades. Quando é  em excesso, a desigualdade  é danosa, pois uma parcela expressiva da população é privada das condições básicas de vida, enquanto uma pequena elite vive na opulência, na riqueza.
Podemos perceber quais são as diferenças entre as pessoas das diversas classes sociais, pelo modo de vestir, o local onde moram, o acesso à educação  e até pelo grau de influência do indivíduo dentro da sociedade. A desigualdade social  torna-se maior para os indivíduos que vivem na extrema pobreza, na mendicidade.
'Miséria da Filosofia'  é o título de um livro escrito pelo filósofo alemão Karl Marx, onde ele faz uma crítica sobre a obra escrita do filósofo francês, Pierre-Joseph Proudhon, 'Sistemas das Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria'.
Na obra Marx, apesar de concordar com as ideias de Proudhon de que a política económica aplicada leva o trabalhador a uma situação de miséria, ele discordava dos princípios económicos descritos, principalmente nas relações directas entre o trabalho e salário.
Talvez seja agora o tempo para o Governo ficar atento à degradação que grassa à sua volta! Os portugueses têm direitos constitucionais que são constantemente violados, pois o direito à educação, à saúde, ao trabalho, à alimentação, à residência condigna, ao bom nome, à liberdade de consciência, de opinião, de ser informado, à protecção e segurança de pessoas e bens, à justiça... e até à indignação, são algo que não seria preciso haver o 25 de Abril para acontecerem, bastando para isso algo que está em falta desde à muito nas estantes da Pátria, pois o que havia...