01/09/07

APRENDER A FALAR EM FAMILIA .....


Às vezes queixamo-nos de que as famílias não se falam. Não é que o pai e a mamã, os pais e os filhos, os irmãos não falem entre si. O que se passa é que parece que não há tempo para se sentarem e discutirem, com calma, os temas que interessam a todos.
É necessário, hoje como sempre, aprender a difícil arte do diálogo. A primeira lição é fácil de compreender, mas difícil de praticar: para poder começar um verdadeiro diálogo faz falta abrir um bom espaço no próprio tempo para, simplesmente, ficar a ouvir. Sim: escutar é a primeira condição para poder começar um diálogo, pois permite-nos aceder à intimidade, aos interesses, às dores e cansaços do outro. Ao mesmo tempo, dispor o nosso coração para o acolher. Dialogar não é sempre dar. Muitas vezes, possivelmente a maioria, será receber, aceitar, talvez aguentar, mas tudo com um carinho especial: alguém abre o seu coração, a sua vida, as suas angústias e as suas esperanças. Interessa-me o que diz porque me interessa o que é, o que sonha, o que ama.
Encontrar tempo para ouvir significa deixar de lado outras coisas que nos interessam muito, mas que não são tão importantes. Muitas vezes queixamo-nos da falta de tempo. E, entretanto, poucos homens e poucas culturas gozaram e gozam do tempo livre que o mundo moderno pôs à disposição de muitos (embora, infelizmente, não de todos). O que se passa é que esse tempo livre ficou cheio de mil coisas que nos impacientam, nos curvam, nos esmagam. Convém, de vez em quando, renunciar, deixar, apagar, deter o frenesim habitual. Sentar-se com a esposa ou o marido, chamar os filhos (que também vivem freneticamente entre o desporto, os estudos, os amigos e a televisão, se é que não têm também o vício dos “videojogos”) e criar um clima para a escuta. O que se deixa de lado será sempre menos importante do que o amor entre o casal e o amor entre pais e filhos. Mesmo que se trate de não ver, nalgum dia, um jogo da minha equipa favorita...
Se o tempo é uma condição elementar para que se dê um diálogo na família, a segunda condição resulta igualmente básica, mas um pouco mais difícil. Conversar significa que há alguém que me diz algo, ou que falo com alguém que me escuta. “Elementar, descobriu a América...!” poderá alguém dizer. Mas não é tão fácil ter “algo que dizer”, achar isso novo, interessante, humano, enriquecedor, que nos leve a ter uma vontade enorme de falar, de gritar, de comunicar o que descobrimos ou outro me ensinou.
Muitos silêncios em família nascem da triste realidade do “não sei o que dizer aos meus”. Isto pode ter duas causas: ou os meus não se interessam por nada de mim (e então já não são tão “meus”); ou eu penso que sou tão pobre humanamente que não posso dizer nada novo.
Basta abrir um pouco os olhos perante o mistério da vida para descobrir que há muito, muitíssimo que dizer. Hoje será o marido e pai que conta uma aventura no seu trabalho, e como descobriu que um amigo, tido por todos como trapaceiro, mostrou ter uma honestidade exemplar. Amanhã será a esposa e mãe que também terá descoberto algo no trabalho ou nas tarefas domésticas, ou que terá ouvido um programa interessante na rádio. Não são poucas as famílias nas quais os pais contam aos filhos um filme que acabam de ver, ou uma viagem interessante que fizeram quando eram jovens, ou a história do avô ou da avó, esses velhos que também têm muito que dizer no mundo familiar. E os pequenos, e os não tão pequenos, poderão também enriquecer os outros com as aventuras da escola, ou um acidente no jogo, ou o encontro pela rua com um misterioso senhor de barbas largas que anda todos os dias com um carrinho ruidoso por entre as pombas da praça maior...
Cada homem e cada mulher têm a sua “pequena história” e a sua “pequena ciência”, encerram um livro de experiências e de conselhos que podem servir para todos. Também os jovens podem deixar perplexos os seus pais quando expõem reflexões que dão muito que pensar pelo radicalismo e o desejo de justiça que são próprios de quem começa a aparecer no mundo dos adultos (muitas vezes já acomodados nas nossas preguiças ou covardias). Mas nem por isso deixarão esses mesmos jovens de sentir a necessidade de uma palavra de conselho na hora de escolher uma carreira, de optar por um trabalho, de começar a sair com um rapaz ou uma rapariga que possivelmente amanhã poderá ser o seu marido ou a sua esposa para sempre...
Aprender a dialogar em família é algo acessível a todos. Basta apagar, de vez em quando, o interruptor geral da electricidade da casa e reunir a “toda a tribo” no quarto maior para, simplesmente, ouvir e falar. Assim se economizará algo na conta de luz. Mas, sobretudo, se ganhará muito na conta do amor familiar. E esse não tem preço no mercado.

31/08/07

CEREBRAL ?

Porque são as pessoas mais inteligentes umas que as outras?

Quando se afirma que algumas pessoas têm uma inteligência psicométrica superior a outras queremos dizer que há pessoas que claramente obtêm consistentemente mais respostas correctas, mais rápidamente, num conjunto de perguntas de um teste mental.. Descrevemos atrás os padrões através dos quais se dispõem estes resultados de testes. Coloque-se a seguinte questão: - Por que razão algumas pessoas têm melhor desempenho nas perguntas dos testes de inteligência do que outras? De facto, trata-se de uma questão bem mais específica: - O que se passa no cérebro humano que faz com que algumas pessoas sejam melhores nos testes de inteligência psicométrica do que outras? Temos efectivamente de estar preparados para algumas dificuldades nesta área. Vamos tentar questionar se há aspectos mensuráveis do cérebro e das suas funções que diferem entre as pessoas e que se relacionam igualmente com as diferenças na inteligência psicométrica.
Desde a antiguidade que esta questão tem despertado interesse nos pensadores da condição humana. Antes das neurociências dos tempos modernos, as conjecturas sobre as razões que explicavam a maior eficiência de um cérebro em relação a outro eram incipientes e seguiam as tendências da época. As ideias sobre os cérebros mais capazes, durante mais de 1.500 anos, eram orientadas pelos físicos ou os filósofos gregos e romanos, que entendiam que o corpo bem proporcionado tinha que ter a quantidade certa dos quatro humores: SANGUE, FLEUMA E BILIS PRETA E AMARELA.
Uma das coisas importantes a salientar desde já neste escrito... e que o nosso conhecimento sobre o funcionamento do cérebro é bastante incompleto.
Mas... tenho a certeza de que muito mais terei a dizer.
Como dizem os Brasileiros: ME AGUARDEM, GENTE!

28/08/07

DIVAGANDO...sexualidades

Do pulsar biológico aos escaninhos do inconsciente, das vivências quotidianas ao discurso intelectual, o sexo está em toda a parte. Eis um lugar comum das sociedades contemporâneas ocidentais: O SEXO. Simultâneamente lugar do dito e do interdito. Se o reprimimos é para melhor podermos continuar a falar dele, ironiza Foucault. Vivemos como que numa tirania do sexual. Difusa , inqualificável, indeterminável, mas que apesar de tudo impregna os nossos gestos, conduz(ou desvia) o nosso olhar, transparece nos pensamentos e nao nosso entendimento das coisas. É próprio dos tiranos eficazes, ao que parece, não tornar sentida a sua tirania. Ora o actual interesse pelo sexo (de que a tradução portuguesa da revista Communications é bem elucidativa), a sua proeminência efectiva não passam por ser fenómenos perfeitamente naturais? Não é ideia corrente, que nunca o homem terá tendido tanto para o seu centro sexual como agora, quando do amadurecimento da chamada revolução sexual se estariam a colher os apetecidos frutos?
Revolução sexual. O sexo encontra-se então mais liberto hoje? Esta é uma problemática à qual é, por vezes, difícil fugir-se.
Baudrillard, num dos seus últimos textos, escreve: "No decurso da orgia, um homem murmura ao ouvido de uma mulher: 'What are you doing after the orgy?' ". Será que, após um período em que o sexo foi a meta, nos aprestamos a franquear agora os horizontes do meta-sexo?
Talvez...
Teu marido Victor

27/08/07

UM INSTANTE ...


Um dia
eu hei-de ver no horizonte
Lá quando brilha intenso o arrebol
Nascer igual pra todos uma fonte
De amor e de concórdia.
Um outro sol
Um dia enxugarei a minha fronte
Ao ver que a amizade foi farol
Iluminando aquele mais distante
Rodando-o para si qual girassol
Um dia...
sem grilhões, sem o domínio
Do déspota que faz o extermínio
De gente...
multidões de que se ri
Não sei quando será...
se tarde, ou cedo;
Mas sei
que a paz virá de algum degredo
Um dia...
qualquer dia…
por aí...

26/08/07

CAMINHOS...

Não há caminhos imprevistos, nem tampouco outros caminhos, se o meu se não cruza com o teu... nos sonhos mais exuberantes saídos de um sono atribulado... vejo teus olhos olharem o meu caminho, que é longo, cansativo, mesmo quando aplanado pela subtileza do teu olhar, que me interroga como posso não vêr as árvores erguidas ao longo desse meu caminho, que nasceram para me dar sombra... mesmo que não tenham as folhas para me abrigar!
Nesse caminho, apenas os teus olhos me são guias, porque o teu rosto não para de me dizer que devo perseverar no caminhar que me conduz até à vida... e essa vida só acontece porque não deixo de percorrer a estrada do meu amanhã como se hoje houvesse hipótese de te rever, ainda que apenas e só por um segundo, feita vigilante da estrada que escolhi para te encontrar!
E caminho...caminho...caminho, com tanto ainda por percorrer, mas sempre na esperança de encontrar o teu olhar, que teima em iluminar o meu caminho!
No meu caminho, sempre serei feliz, porque tenho a luz dos teus olhos para me guiar... mesmo que não haja escolhos a afastar, mas distâncias a vencer!
Tu serás sempre o meu caminho! E eu sou feliz em percorrê-lo!
Do Victor Elias para ti...

FOLHAS CAÍDAS ...

Nas folhas caídas
Que vão com a água
Há tristeza, mágoa
Tristes são as idas...
Amarelecidas
Caíram na rua
E a árvore nua
Ao vê-las perdidas
Chora mas não pode
Acudir-lhes já
O que a morte dá...
Ninguém nos acode!
É a natureza
Que dá toda a vida
E assiste à partida
Talvez com tristeza...
Ou talvez não seja
Pois tudo renova
Vem a folha nova
E a gente festeja
Como nossas vidas:
Já com fraco alento
Voam como o vento
Mas outras nascidas,
Dão-nos alegria
Renova o afecto
Círculo completo
Como por magia
Por isso nas folhas
Que rolam no chão
Haverá então
Beleza se as olhas,
E a mente te cisma
Noutra direcção...-
É tudo questão
De ângulo ou prisma…

22/08/07

CARÁCTER



O carácter é como uma árvore e a reputação a sua sombre. A sombra é o que pensamos a seu respeito; a árvore é a realidade.