09/07/12

AO CORRER DA PENA...


Nestes tempos de austeridade desenfreada, apetece-me escrever... ainda que não diga nada, porque há muito para verter para o papel, mas estamos num estado tão calamitoso que nem se sabe por onde devemos começar, talvez pelo facto de não haver ponta por onde se consiga pegar um País devastado por tudo de mau que lhe vem acontecendo.
Diz-se que são imposições da 'tróika', debilidades herdadas do governo que nos desgovernou anteriormente... mas ninguém ainda conseguiu provar que é por obra e graça dos nossos governos que tudo vai mal no reino de Portugal. E teimamos em encontrar o bode expiatório em todo o lado da Comunidade Europeia... menos em Lisboa, porque somos pessoas sérias - especialmente porque não temos razões para rir - e sabemos que os Governos (?) têm tido a preocupação em arranjar 'paraísos fiscais' capazes de 'tomar conta' dos nossos dinheiros, porque os bancos existentes em Portugal 'teimam' em fazer o enriquecimento dos seus titulares à pala daquilo que nos vão conseguindo 'apanhar' nos negócios chorudos que fazem com as promessas de ganhos fabulosos, mais valias de fazer perder o fôlego, juros só possíveis de encontrar no Banco 'X' ou 'Y' durante uma vida... desde que esta seja curta, calcula-se.

O Povo, em nome de quem os Governos deveriam governar, está horrorizado com a falta de perspectivas que lhes possam permitir acreditar num porvir mais ridente. A Igreja pede o fim das medidas anticrise impostas pela governação... nas ninguém acreditará que alguém na esfera governamental lhes venha a dar ouvidos.
No tempo do Estado Novo, era dita esta quadra:
'TOURADAS E PROCISSÕES...
FÁTIMA...FADOS... BOLA...
SÃO ESTAS AS DIVERSÕES
DE UM POVO A PEDIR ESMOLA'
Sei que no Estado Novo a Igreja não pediria nada ao Governo, porque havia uma Concordata que inibia o sacerdote de se meter em questões consideradas políticas. Quem o fazia sofria na carne a temeridade tida... mas alguns 'deram a cara, o corpo às balas', como é do conhecimento geral.
Hoje há muitas vozes da Igreja que levantam a voz contra o aumento dos sacrifícios impostos ao Povo. Aconteceu em Coimbra, por exemplo, no sermão das festas da Rainha Santa, como também com o Arcebispo de Braga, que afirma reconhecer que os portugueses terão de criar estilos de maior sobriedade na vida, mas a austeridade demais pode ser um sacrifício que os portugueses já não aguentam!
Os Bispos entendem que o Governo terá de encontrar uma saída que não passe pelo agravamento dos sacrifícios impostos ao Povo.
O Tribunal Constitucional veio tentar dar uma esperança ao Povo, mas o Governo entende que a crise justifica continuar a atacar os rendimentos do trabalho... dos funcionários públicos, dos pensionistas e reformados. Até quando vão ser os funcionários a pagar os empréstimos da tróika e os vencimentos chorudos de que se dão aos membros do Governo e assessores?
É melhor não dizer mais, senão ainda terei convulsões pelo cheiro nauseabundo que vem de São Bento, especialmente nos dias de debate parlamentar.