30/08/13

SOLDADOS DA PAZ...

 De criança, ainda bem pequenino, habituei os meus ouvidos a ouvir as sirenes dos Bombeiros da minha cidade natal. Quando os carros saíam do Quartel  para irem prestar o socorro, as sinetas a tilintar, as sirenes a lançar estridentes sons que pareciam dizer 'Vamos a caminho! Aguentem firmes que já estamos a chegar!', com os pneus a chiar nas curvas que tinham de fazer a caminho da catástrofe, como sentia orgulho naqueles Homens, que faziam jus à sua divisa "VIDA POR VIDA". Era nesses momentos que diziam, ufano, para quem me queria ouvir:
'Quando crescer quero ser Bombeiro'!
                                                                                                       
Penso ser o Bombeiro a figura que mais admiro, por tudo quanto representa o seu trabalho na insana batalha do combate aos incêndios que, seja por incúria das pessoas seja por meios  naturais ou acidentais, vão delapidando o pulmão deste País, já tão martirizado com a crise económica e de valores humanos, mas que tem agora de sofrer os efeitos da sanha criminosa de alguns que apenas esperam obter vinganças através do incêndio, ou então têm como distração o olhar o céu coberto de nuvens de fumo, enquanto as matas vão ardendo... ardendo, para gáudio de alguns madeireiros sem escrúpulos ou agentes imobiliários em busca de terrenos baratos para erguerem mais uns tantos mamarrachos, não importa a que preço.
É com tristeza que vejo Portugal reduzido a cinzas. Na aproximação dos tempos Pascais há sempre um dia especial de penitência,  a Quarta Feira de Cinzas simboliza o despojamento do homem de tudo quanto seja pecado, pois as cinzas são um sinal de que o mal foi vencido, ficando apenas as suas cinzas. Acontece que as cinzas com que Portugal está coberto não são de redenção mas de destruição, porque são causa de dor, de tragédia, de lágrimas, de luto, porque os incêndios vão ceifando vidas umas atrás das outras.

Haverá quem diga que não tem nada a ver com o assunto, que paga os seus impostos e deverá ser o Estado a zelar pelas pessoas e bens, providenciando a limpeza das matas... e até há uma certa razão nisso, pois grande parte das matas nacionais, que deveriam ter cuidados garantidos, não é limpa e até chega a acontecer a Guarda Republicana deter pessoas que vão buscar mato para fazer a cama do gado. Em vez de incentivar a limpeza, interessa é a multa, porque está a delapidar bens do Estado.
E depois ficam admirados quando o fogo torna órfã uma criança como a que vemos feliz ao colo da sua Mãe... porque esta, a Bombeira Ana Rita Pereira, dos Bombeiros de Alcabideche, pereceu no incêndio de Tondela!
Hoje continua a minha admiração por estes 'Soldados da Paz', porque a sua doação à causa do próximo é por demais notória!
Eles são dignos de ser lembrados, não só quando nos deixaram, chamados para descansar no Paraíso a que fizeram jus, mas também quando as forças lhes começam a fenecer e chega o tempo de repousar das baforadas de fumo, do esbraseado das chamas, dos caminhos ignotos que houveram de vencer para que as chamas sejam eliminadas, do suor a escorrer-lhes do rosto enfarruscado pelas cinzas, da sede que lhes queima as entranhas, mas que não os deixa desistir, porque é preciso vencer, hoje e sempre ! 
Os Bombeiros de Portugal merecem uma sentida homenagem de gratidão por tudo o que são, por tudo o que fazem, por tudo o que valem!

16/06/13

10 de Junho - Homenagem ao Combatente...

Elvas, a cidadela militar alentejana Património, vestiu galas e 'pintou-se' com as cores nacionais para comemorar o Dia de Portugal, de Camões, das Comunidades,  da Peregrinação Internacional das Crianças a Fátima... tudo o que as cabeças pensantes do 'Reino de Portugal' houverem por bem comemorar, pois nunca é demais recordar que já é antigo o uso do 'pão e circo' para calar as gargantas daqueles que barafustam porque a vida está pela hora da morte.
O Presidente da República congregou as forças vivas à sombra do centenário aqueduto elvense, as bandas militares deram o toque que as circunstâncias exigiam, os Militares, poucos como a 'Tróika' exige, vestiram-se de gala e brio, o Povo teve ensejo de vaiar o Presidente e o Primeiro Ministro, para que a festa fosse completa, chegando ao ponto de choverem impropérios  populares durante o Hino Nacional, que se desrespeita de forma acintosa... porque sim!

Por iniciativa do Presidente da República, como já havia feito no ano anterior, foram incorporados no desfile alguns antigos Combatentes das Guerras do Ultramar, em clara tentativa de desvalorizar a cerimónia que, à mesma hora, estava a decorrer em Lisboa, junto ao Memorial dos Combatentes. Aqui estavam realmente os Combatentes do Ultramar e não um grupo de Combatentes escolhidos pela Presidência da República ou alguém por ela.  
Foram convidados de honra a Câmara Municipal de Lisboa, todas as Chefias Militares, os militares agraciados com a Ordem Militar da Torre e Espada, o Comando Geral da GNR, a Direcção Nacional da PSP, os Presidentes das Associações de Combatentes, o Secretário Executivo da CPLP e os Adidos Militares ou Culturais junto das embaixadas da CPLP.
A cerimónia teve a dignidade que a saudade daqueles que ali estão evocados merece.
A fundadora e Presidente do Banco Alimentar contra a Fome, Drª. Isabel Jonet, foi a responsável pelo discurso de homenagem aos Combatentes, na cerimónia que ocorreu junto ao Memorial dos Combatentes, junto ao Forte do Bom Sucesso. .A dada altura do seu discurso, a Drª Jonet alertou  para os 'tempos difíceis' e 'intolerantes' que se estão a 'instalar' em Portugal,  especialmente no que respeita à liberdade de expressão e opinião, que estão a ser ameaçadas.
A Comissão Executiva das cerimónias  justificou o convite à Drª. Isabel Jonet porque é 'uma mulher de armas que não vira a cara à luta' e pretendeu-se recordar este ano o papel desempenhado pelas mulheres durante a Guerra no Ultramar.
'Constrangimentos com que alguns, nestes tempos difíceis e, estranhamente de novo intolerantes, que se vivem no nosso país, pretendem condicionar quem quer se seja e a propósito do que quer que seja, designadamente quando está em causa o exercício livre do mais elementar direito à intervenção cívica', afirmou a responsável do Banco Alimentar. 
 Quando lhe foi perguntado pelos jornalistas, no final da cerimónia, Isabel Jonet escusou-se a concretizar ao que se referira, mas reiterou que a liberdade de expressão pode estar ameaçada.
'Hoje, algumas liberdades parecem até estar ameaçadas por pessoas que, com convicções diferentes, não deixam a todos manifestar-se por aquilo em que acreditam', frisou.
Sobre a situação do país, disse que Portugal atravessa 'um momento muito difícil', apelando à união de todos para  'manter a liberdade e independência' que tantos  séculos levou a conquistar.
'É momento de encarar com realismo que temos de estar juntos porque a situação assim o exige. (..).Penso que há solução à vista e, apesar de tudo, já se nota alguma diferença na situação atual', disse.
Quanto ao facto de haver ex-combatentes a viverem em situações de dificuldade económica, Isabel Jonet admitiu que o Banco Alimentar apoia associações que estão a auxiliar antigos combatentes.

05/06/13

PORTUGALMENTE FALANDO:


Em Portugal nada é o que parece, mas tudo aparenta ser aquilo que não devia.
Não estou a fazer apenas conversa de ocasião, mas a exprimir a convicção que me fica de cada vez que paro um pouco para pensar: QUE MUDOU NO MEU PAÍS PARA QUE ELE SEJA ESTA IMAGEM DE CAOS QUE O QUOTIDIANO NOS VAI MOSTRANDO?

A resposta não será fácil de assimilar, mas julgo que a  maior mudança se prende com a credibilidade do Homem, enquanto 'matéria prima' necessária para promover a evolução de que  o País carece, porquanto é o Homem o principal promotor da falha verificada em todos os parâmetros da construção societária, que acredito poderá vir a preconizar o  nosso futuro, vá  lá bem  saber-se quando, como e porquê.
Talvez a resposta seja fácil, presumo: O POVO PORTUGUÊS NÃO GOSTA DE SER LEVADO COM CONVERSAS, APESAR DE DAR OUVIDOS AO LÍDER DO PARTIDO X  OU DA CENTRAL SINDICAL Y...  e aí começa um caminho eivado de perigos vários, porque nem sempre a pretensa razão está patente naquilo que se diz.

Não sei se é verdade, mas diz-se que a demagogia política tem sido levada à prática em Portugal com um grau de eficiência... eficiente por demais.
Se não há trabalho em Portugal.... alguém já procurou encontrar uma solução que não seja recorrer à esperteza saloia, ao esquema  sórdido ou ao roubo mais sofisticado?
Conheço muitos casos emblemáticos daquilo que afirmo, pois há histórias mirabolantes de 'empresários' da construção civil  cujas  sedes estavam instaladas numa carrinha, que servia de escritório, transporte dos trabalhadores e o que mais necessário fosse. A central telefónica estava a  funcionar num qualquer telefone portátil, que o mantinha sempre contactável... até para fugir aos credores.
Como não pensavam pagar ao 'fisco' aquilo que seria devido pagar, apenas tratavam de guardar aqueles  documentos que estavam  relacionados com os trabalhos que no momento tinham em mão. Os fornecedores iam esperando pacientemente pela liquidação da facturas... mas no endereço dado nunca se conseguiam contactar os 'clientes devedores'.
Também há o caso de haver vários familiares inscritos, na 'folha de vencimentos', que nunca foram sequer à obra, pois a ideia seria 'acederem' ao 'quadro de desempregados'   sem problemas de maior.
O cântaro tanto vai à fonte que um dia lá deixa a asa, pelo que a 'empresa' terá de fechar as portas quando deixarem de ter êxito os 'calotes' que se foram acumulando. As penhoras vão-se seguindo, umas após as outras, sem que se veja qualquer luz ao fundo do túnel.
E nos trabalhadores desempregados vamos encontrar tantos que viviam a cuidar da terra... ou dos mil e um esquemas que a vida os ensinou a usar para se safarem, nem que seja tornarem-se 'profissionais' do   subsídio de desemprego, que muitas vezes é de valor superior ao vencimento que possa ser auferido numa qualquer empresa que se proponha dar-lhes uma oportunidade de trabalho.

Sabe-se que a mecanização industrial e a informatização dos serviços veio dar um rude golpe na empregabilidade de alguns 'quadros' da fábrica ou do escritório. A utilização de sistemas mais complexos exigiu uma melhor formação académica... mas ninguém alguma vez ousou encontrar um agricultor detentor de um canudo da Escola Superior de Formação Agrária,, um sapateiro formado em engenharia industrial, um carpinteiro que cursou a Escola Superior de Técnicos da Manipulação de Madeiras ou um pescador licenciado em Biologia pela Universidade de Coimbra.
Cada macaco no seu galho, ouve-se dizer. Há licenciados a varrer as ruas de Lisboa, porque os papás não quiseram que o seu pimpolho viesse a vender copos de 3 na tasca lá da rua, como o pai fez durante anos, com a finalidade de poder 'dar' o canudo ao filhinho, que queria doutor.
A  Maria sempre lavou escadas, tratou da roupa das senhoras, limpou o pó, cozeu, varreu, humilhou-se... mas a sua filhinha não vai ter de suportar esta vida, porque está na Universidade a tirar o curso de doutora em qualquer coisa.

Só que sem os sapateiros andamos descalços, sem as lavadeiras, andamos sujos, sem cozinheiros passamos fome, sem alfaiates andamos nús, sem carpinteiros não teremos uma cadeira onde nos sentar. É que as próprias máquinas precisam da mão do homem, porque não são elas quem se programa.
Falar na máquina de lavar roupa ou louça não é resposta, pois também estas precisam da mão do homem para as fazer... e para as reparar.

Talvez fosse pertinente repensar este País. Parece que aqueles que têm a responsabilidade de o devolver a uma situação mais  meritória, mais consentânea com as necessidades das populações, têm encontrado bastantes dificuldades em chegar ao fundo dos problemas, porque quanto mais aprofundam a podridão com que se depararam, mais fundo têm de escavar, porque são podres de muitos anos e esta gente desespera por estar a pôr à mostra tudo de mau que foi sendo feito... em nome do Povo, que agora clama, clama, clama sem ouvir eco, porque este se perde na profundeza do poço em que estamos metidos.
As culpas... dividam as coisas como quiserem, porque nós  até temos muitas, devem ser assumidas por todos.

18/05/13

'...MAS AS CRIANÇAS, SENHOR...'

' - Olha... eu tenho aqui pão! Queres um bocadinho?'
' - Quero, sim... mas... tú não comes?'
' - Tu és mais pequenina, precisas mais, para cresceres!'
'- Sabes uma coisa? Quando eu era muito pequenina, ia com a minha mãe ao shoping e ela punha comida num saco e dava a umas pessoas que iam dar comida aos pobres... mas agora somos nós, em minha casa, quem tem de ir procurar os senhores que dão a comida... e muitas vezes não os encontramos, porque há muita gente com fome e  são poucos a dar comida!... Tenho medo...'
' - Eu também não tenho comida em casa, mas na minha escola como o almoço e um lanche. Quando sobeja, as senhoras lá da escola dão para levar para casa, e é assim que eu tenho este pão! '
 
Neste País onde muitos que se alimentam daquilo que encontram nos lixos daqueles que ainda podem dar-se ao luxo de deitar fora 'restos' de comida, sejam  particulares ou da restauração.
Já não há que ter vergonha de dizer que vai comer a 'Sopa do Barroso' ou do 'Sidónio'! Há necessidade de ampliar as acções beneficientes de refeitórios como o dos Anjos, que desde há muitos anos é um local de referência para os pobres de Lisboa!
Mas também há necessidade de que os grandes espaços comerciais, sejam eles alemães, franceses ou portugueses, deixem de inutilizar os produtos que estão em fim de validade, procurando que os pobres os não aproveitem, como infelizmente vai acontecendo!
É tempo de a Justiça deixar de aceitar queixas dessas superfícies, feitas contra um desgraçado rouba um paposseco de alguns cêntimos, apenas porque tem fome. E, para mais, com a agravante de se pedirem avultadas indemnizações, para um furto irrisório!
Considerando o facto de a Assembleia da República estar dotada com um dos mais 'ricos e luxuosos' restaurantes portugueses, com um cardápio digno de candidatura às celebradas estrelas Michelin, que premeiam a forma desabrida como alguns malbaratam num dia, em ostentação gastronómica, mais do que a maioria pode gastar numa vida,  para alimentar a família!
Ainda se os pobres Deputados recebessem o Salário Mínimo Nacional, que eles consideram suficiente para que 'os outros' sustentem as famílias, depois de deduzida a parte de leão que o Fisco reivindica para o Governo... que pouco falta para introduzir o imposto pelo ar que respiramos... cruzes canhoto!
 'Ainda quem é pecador,
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dôr,
  porque padecem assim?'   
                        "Augusto Gil"
Não é de hoje que o Povo português se vê confrontado com austeridade, com fome, com dificuldades tremendas, mas sempre se considerou não ser um Povo que baixe os braços! Trocou a escola pela enxada com que cava a terra, pela serventia nas obras, pela aprendizagem nos mais diversos oficios que se lhe foram deparando, pela fábrica onde operava as máquinas, pelo escritório onde se dedicava ao trabalho da escrituração ou da facturação. Emigrou... e mudou o pensamento e o estilo de vida:
O MEU FILHO, QUANDO CRESCER, VAI TER TUDO O QUE NÃO TIVE! NÃO VAI TRABALHAR PARA AS OBRAS MAS VAI SER DOUTOR OU ENGENHEIRO!
Hoje vemos crianças que olham o horizonte, procurando vêr, na luz do sol que nasce, alguma coisa parecida com futuro, com esperança, com dignidade, com paz... mas a solidariedade apenas funciona entre aqueles que nada têm, pois vão repartindo o pouco que Deus lhes deu com aqueles que têm tanto como eles!
Num País em que o Governo se dá ao luxo de esquecer que aquilo que vai retirando do fraco pecúlio dos reformados, não atinge apenas esses reformados, mas os seus filhos e netos, que se 'servem' das parcas moedas que o Fisco deixa aos reformados para conseguirem pagar a casa, a água, a luz, a alimentação... e aí começa a aparecer o espectro da fome, porque o que recebem não chega.
Os que têm pensões do regime não contributivo, porque  trabalharam para eles próprios e não cuidaram de fazer os descontos para a reforma, ou os que vivem dos subsídios que o Governo malbarata, têm melhores condições de sobrevivência que aqueles que levaram uma vida a descontar para uma reforma... que lhe vai sendo escamoteada por quem não vê onde estão os verdadeiros destruidores da economia portuguesa! 
As crianças devem ser olhadas como aquilo que são: O FUTURO DO PAÍS!
O legado que lhe estamos a deixar será de dignidade? Torna-se pertinente pensar nisso.

11/03/13

DIFERENÇAS ENTRE 1950 /2012



Situação: O fim das férias.

Ano 1978:

Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as férias. No dia seguinte vai-se trabalhar.

Ano 2010:

Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e diarreias.

Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno.

Ano 1978:

Não se passa nada.

Ano 2010:

As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.

Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte, depois das aulas. Assim que entra no colégio, mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer uma fisga.

Ano 1978:

O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem e mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.

Ano 2010:

A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.
Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.

Ano 1978:

Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.

Ano 2010:

A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar, o Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar a Moura Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas.

Ano 1978:

Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.

Ano 2010:

Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime parece um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por ter um aluno incapacitado.

Situação: O Luis parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas boas chicotadas com este.

Ano 1978:

O Luis tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.

Ano 2010:

Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo.
O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Manuel Luís Goucha.

Situação: O Zézinho cai, enquanto praticava atletismo,  e arranha um joelho. A sua professora Maria encontra-o, sentado na berma da pista,  a chorar. Maria abraça-o para o consolar.

Ano 1978:

Passado pouco tempo, o Zézinho sente-se melhor e continua a correr.

Ano 2010:

A professora Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego. Confronta-se com 3 anos de prisão.
O Zézinho passa 5 anos de terapia em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a professora Maria por trauma emocional, ganhando ambos os processos.
A infeliz professora Maria, agora no desemprego e cheia de dívidas, suicida-se, atirando-se de um prédio. Na queda, cai em cima de um carro, mas antes ainda bate com o corpo numa varanda, que se quebra.
O dono do carro e do apartamento processam os familiares da infeliz Maria,  acusando esta de destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme,  baseado neste caso.

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter chamado 'chocolate' ao outro.

Ano 1978:

Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa. Amanhã são colegas.

Ano 2010:

A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

Situação: Fazias uma asneira na sala de aula.

Ano 1978:

O professor espetava-te duas valentes ‘lostras’, bem merecidas. Ao chegar a casa o teu pai dava-te mais duas porque 'alguma deves ter feito'

Ano 2010:

Fazes uma asneira. O professor pede-te desculpa. O teu pai pede-te desculpa e compra-te uma Playstation 3.



14/12/12

DENTRO EM POUCO... É NATAL!

 
- Natal é um tempo de ESPERANÇA...
- Natal é partilha solidária...
- Natal é olhar nos olhos e sorrir...
- Natal é renovação interior...
- Natal é tempo de união...
- Natal é ver em todos o irmão...
- Natal é saber-se perdoar...
- Natal é algo que está no coração...
- Natal é... aquilo que dele fizeres!

21/10/12

A LENDA DO GALO DE BARCELOS

Por vezes, dou comigo a pensar como seria bem melhor poder fazer uso de alguns artifícios narrados nas lendas de Portugal, especialmente no que respeita a coisas relacionadas com a justiça, a verdade, a felicidade das pessoas... e então dou comigo a recordar lendas do País, como é exemplo
A LENDA DO GALO DE BARCELOS.
Ora atentai:

Eram tempos de devoção aqueles, em que os cristãos firmavam e consolidavam a sua presença no Reino de Portugal que acabava de se tornar independente do Reino de Castela para, a partir de então, seguir o seu próprio destino.
Ora, isso aconteceu já lá vão quase novecentos anos. Nesses tempos remotos as pessoas não tinham uma idéia de fronteira, clara e nítida, como aquela que nós temos hoje. Esses portugueses, nossos antepassados, veneravam S. Tiago e invocavam a sua proteção, com a mesma fé com que nos nossos tempos veneram Santo António, como se o santo fosse uma espécie de avô simpático e bonachão de quem se lembravam nos momentos difíceis.
As pessoas deslocavam-se a Compostela para pedir uma graça ao Apóstolo, tal como hoje recorrem à ajuda de um amigo influente. Para lá chegarem caminhavam léguas e léguas, dormiam ao relento, comiam por caridade, numa choupana ofereciam-lhes uma tigela de sopa, mais adiante um camponês repartia com eles o seu pão escuro.
Humilde, vestido de estamenha (hábito de frade), um peregrino seguia o seu caminho, a estrada de Santiago, apoiado no seu grosso bordão. Talvez porque não fosse tão pobre como outros, pernoitava nas estalagens.
Na noite em que este homem encontrara abrigo na pequena hospedaria de Barcelos, uma aldeia nos confins de Portugal, já muito próxima da Galiza, nessa noite, dizia eu, quis a pouca sorte que o dono do estabelecimento tivesse dado pela falta de uma bolsa com moedas de ouro que era toda a sua fortuna.
Algumas pessoas tinham passado lá o serão, comendo, bebendo, contando histórias e conversando numa grande algazarra, sentadas diante de uma grande lareira onde ardia um enorme tronco, enquanto esbravejavam com a animação e agitavam canecas de vinho por cima das cabeças. Qualquer deles poderia ter sido o larápio, mas eram todos vizinhos, conhecidos e amigos de longa data, pelo que o estalajadeiro não desconfiou dos seus clientes habituais. Esta razão foi quanto bastou para que as suspeitas recaíssem sobre o nosso peregrino, suspeitas logo seguidas da acusação:
- Ladrão! Foste tu, só podes ter sido tu, que aqui toda a gente se conhece. Não escapas, vais ver! O juiz logo te dirá! Verás o que te espera!
E assim foi. O juiz sentenciou o homem como tendo sido ele o autor do roubo, apesar de as moedas não terem sido encontradas na sua posse, e logo ali o condenou a morrer na forca.
Quando o carrasco o conduzia para o meio da praça onde ia ser executada a pena, o peregrino lembrou-se de pedir:
- Esperem! Levem-me outra vez ao juiz, que eu ainda tenho uma coisa para lhe dizer.
Após alguma hesitação, o homem foi levado à presença do juiz que estava agora sentado à mesa e se preparava para se banquetear com um belo capão (galo) assado que estava na sua frente, temperado e tostado que fazia crescer água na boca.
- Meu senhor, ouvi mais uma vez que estou inocente do crime de que me acusam. Tomo Nossa Senhora por minha testemunha e aqui mesmo lhe peço que me faça um milagre. Se aquilo que eu digo for verdade, e eu estiver inocente, esse galo que tendes na vossa frente e vos preparais para comer, agora mesmo tornará à vida, se levantará e cantará!
Naquele preciso momento, o galo deu um pulo dentro da assadeira e começou a cantar.
Os presentes ficaram boquiabertos e de olhos esbugalhados. Nunca tal se vira.
O homem tinha conseguido provar a sua inocência e ao juiz apenas restou deixá-lo ir-se embora em paz.