06/09/10

DIVAGANDO... OU TALVEZ NÃO.

Muitas vezes sinto que os pensamentos se materializam consoante a disposição que possamos demonstrar quando afloramos determinada questão... especialmente se esta se mostrar fundamental e determinante para ultrapassar alguma barreira mais resistente ao ostracismo que lhe possamos ter dado nas nossas cogitações... porque cogitar também cansa, se é que me faço entender.
Por falar em cansaço, já estava a ficar um pouco entediante a comédia de costumes que foi levada à cena no Campus da Justiça de Lisboa, àcerca dos crimes de pedófilia que aconteceram na Casa Pia de Lisboa e que tanta tinta fizeram correr... desconfiando que ainda não será desta que teremos a dita de descansar os nossos olhos e ouvidos dos autênticos massacres a que temos sido submetidos nos últimos anos... porque alguns desvalidos da sorte - ou não - foram a determinada altura das suas vidas submetidos a "sevícias sexuais" perpetradas por algumas figuras e figurões que as vítimas afirmam ter sido correctamente identificadas, pese embora a defesa que os "outros" fazem da sua honorabilidade, pois garantem poder passear à vontade pela Feira da Luz sem o perigo de escaqueirarem as loiças de barro expostas nas barraquinhas.
Fez-se finalmente justiça? Haverá injustiça na atribuição das penas? Foram pesadas demais? Foram leves? Foram os "culpados" únicos?
Agora vão decorrer os recursos e por tal motivo ainda teremos que ouvir falar muito disto tudo! Só espero que Portugal possa afirmar-se orgulhoso pelo que possa fazer pelas suas crianças, pelos seus jovens, pelas suas gentes em geral. E o Estado Português também deveria ter sido julgado e condenado em tantas "Casa Pia de Lisboa" que vão acontecendo a cada dia que passa. Devia ter sentado no banco dos réus para responder pelos vários crimes que a sua incúria vem proporcionando sejam cometidos.
As crianças devem ser tratadas com o carinho que dispensamos às plantas que gostamos de vêr florescer , porque também elas são botões à espera de poder desabrochar para a vida.

22/08/10

A * ARTE * ABSTRACTA...

Ao longo dos tempos têm-se visto obras em que pintores e escultores de sempre, um pouco por todo o lado, dão expressão à sua arte através de linhas, volumes ou cores que utilizam para constituir conjuntos ordenados que sejam capazes de agir por si só na sensibilidade e no pensamento.
No entanto, não consideravam os artistas a hipótese de separar este poder de uma evocação, mais ou menos estilizada, do mundo visível, com excepção dos artistas islâmicos, por motivos óbvios.
Foi a partir de 1910-1940 que, no Oriente, alguns pintores renunciaram à representação, sendo Kandinsky, aparentemente, o primeiro a definir uma corrente lírica e romântica da arte abstracta, projectada numa linguagem plástica do mundo interior do artista e da sua visão imaginária.
Pelo contrário, é na mais depurada construção geométrica que Malevitch e Mondrian estabelecem o ponto de encontro entre o seu sentido cósmico e a sua vontade racional e objectiva. Outros artistas foram contribuintes mais episódicos do nascimento da nova arte, como foi o caso dos franceses Delaunay - que viveram em Portugal durante a 1ª. Guerra Mundial -, Léger, Picabia, o russo Larionov ou o checo Kupka e muitos outros.
O português Amadeu de Sousa Cardoso, natural de Amarante, que nasceu em 1887 e faleceu em 1918, fez a sua formação artística em Paris e foi um pioneiro que realizou no Porto, em 1916, uma exposição abstracionista, que depois veio a ser exibida em Lisboa. Infelizmente, a sua obra apenas foi influente a partir de meados do século.
Nos anos 20 e 30 é a tendência geométrica, muitas vezes apelidada de "arte concreta" e que muitas vezes se viu ligada à pesquisa arquitectónica, que domina, representada pelo construtivismo de escultores como os russos Pevsner e Gabo ou a polaca Kataryna Kobro; pelo neoplasticismo de Mondrian e do grupo holandês De Stij; em certa medida pela Bauhaus alemã, onde lecionam Kandinsky, que havia enveredado por uma arte mais fria, o húngaro Moholy Nagy e outros. Em Portugal foi o pintor Fernando Lanhas considerado como o introdutor da abstracção nos princípios dos anos 40. (CONTINUA)

02/08/10

Traduzindo o Alcorão...

As línguas originais com que foi escrita a Bíblia cristã foram o Hebraico, por vezes com mistura do Aramaico, no que toca ao Antigo Testamento, e o Grego, salvo nos casos em que o original provinha do Aramaico, no que refere ao Novo Testamento.
No entanto, para a maioria dos Cristãos, durante a maior parte da sua história, fosse essa ou não a língua da Bíblia a sua própria língua, era qualquer coisa de diferente das línguas originais.
Para os Muçulmanos, a questão tornava-se bastante diferente, porque o Árabe não é apenas a língua original do Alcorão mas sim é a língua do Alcorão. A tradução das escrituras era, pois, um problema para os Muçulmanos de uma forma que não o era para os Cristãos. O que estava em causa não era saber se seria ou não permitido passar o sentido do Alcorão para outra língua, pois é evidente que isto se podia fazer, embora o resultado fosse considerado como imperfeito, naturalmente, ficando portanto sujeito a erro humano. O problema maior era o uso que pudessem ser dado a essa tradução.
Quando a tradução surgisse com o propósito de facilitar a compreensão por parte de pessoas cuja língua nativa não lhes permitisse entender o original Árabe, não haveria qualquer problema.
É este o motivo porque existe um vasto conjunto de traduções Persas do Alcorão, sendo as mais antigas datadas do século X ou XI.
Notam-se em algumas traduções algumas características curiosas, como ser o texto Árabe escrito em Naskhi, com caracteres soltos em negrita e por baixo de cada linha árabe, em caligrafia pequena típica dos Persas, está uma humilde, palavra a palavra, tradução persa. A hegeminia do Árabe original está, virtual e inequivocamente, exposta, e a ordem das palavras árabes sobrepõe-se aos padrões sintáticos normais da língua persa - os verbos aparecem no princípio dos versículos em vez de aparecerem no final.
O servilismo destas traduções tem muito paralelismo noutras culturas. A tradução gótica da Bíblia do século IV é penosamente literal, e as traduções Tibetanas das escrituras Budistas aderem tão rigorosamente aos textos originais que podem ser utilizados, à confiança, para os reconstituir.
Podem encontrar-se num formato em negrita mais carregado nas traduções que actualmente se publicam no Irão, mas há algumas traduções que apresentam o Árabe e o Persa em páginas opostas, mas a primazia do Árabe é marcante, pois aparece na página direita em absoluto contraste com a tradução persa, apresentada na página esquerda numa impressão bastante modesta.
Um, como observa o "ayatollah" Nasir Makarim Shirazi, autor da tradução aludida, "é a Palavra de Deus e o outro é meramente um ser criado". No entanto, esta tradução está muito longe de ser servil. A sintaxe persa mantém-se inabalável: os verbos deslocam-se para o final dos versículos, ao mesmo tempo que o tratamento do significado é notavelmente mais assertivo.
CONTINUA...

19/07/10

PRESSENTIMENTO ou PREMONIÇÃO

Muita gente fala de premonições, de pressentimentos, de constatações ou daquilo que se lembre dizer quando acontecem "coisas" para as quais não estavam preparados, mas que se reconhecem como passíveis de vir a acontecer, talvez por serem obra de humanos e não de deuses, iluminados ou fazedores de milagres, tipo "santinha da Ladeira do Pinheiro" ou IURD.
Talvez haja que explicar o porquê de alguns acontecimentos que não têm explicação à luz da lógica, mas não creio ser possível dar credibilidade a algo que sai da nossa esfera de conhecimento das coisas, porque Deus explica-se pela fé, tal como o Diabo, mesmo que este não tenha a mesma dimensão daquele; apenas se pode explicar a morte se tivermos em mente que esta é o consumar da vida, uma vez que, como diria a "socialite" Lili Caneças, "estar vivo é o contrário de estar morto", o que me leva a dar-lhe 20 pontos pela lucidez da constatação, que está plana de lógica.
Como se poderá explicar a alguém uma cura que esteja para além do saber médico? Milagre? Mas... quem faz milagres nos dias de hoje, pergunta-se. Há sempre quem ponha em causa qualquer acontecimento "marcado" pelo sobrenatural, uns porque não têm uma fé tão inabalável que os leve a acreditar ser possível dizer à montanha SAI DAÍ e ela mover-se, como Cristo afirma no Evangelho.
Que se pode chamar à vida senão "milagre", uma vez que estamos na presença de algo que está para além da capacidade humana? Há... já me esquecia que o ser humano nasce porque há outro ser humano, se bem que ainda se não conseguiu uma maternidade ou paternidade porque dois homens ou duas mulheres resolveram unir-se "em casamento". Ainda bem que há cientistas que têm lutado um horror de anos para encontrar uma resposta... que não aparece: A VIDA NÃO ESTÁ NAS MÃOS DO SER HUMANO, MAS DE ALGUMA FORÇA QUE DÁ ESSE DOM A UM PEDACINHO DE MILAGRE SUSCITADO POR ESSA FORÇA... QUE NÃO É HUMANA, ULTRAPASSA O CONHECIMENTO DO HOMEM, LOGO--- ESTAMOS PERANTE UM MILAGRE!
Dirão agora, depois desta "brilhante" dissertação: Foi para dizer que há milagres que escreveu toda esta lenga-lenga? Bastava dizer apenas: ACREDITO EM MILAGRES! Mas estou convicto de que esta seria sempre uma afirmação a esbarrar na indiferença da descrença, porque somos por demais materialistas para acreditar na divinização das coisas transcendentes, porque ultrapassam tudo aquilo que convencionamos poder aceitar como verdade... mesmo que seja verdade e não utopia, já que esta é fruto da descrença e a descrença simboliza não ter fé... e esta é fundamental para que possamos olhar o porvir com esperança.
Tenho cá um pressentimento, uma premonição ou seja lá o que seja que ainda não acertei no euromilhões por falta de sorte, mas tenho fé que isso ainda pode vir a acontecer! Não sei quando, mas é a minha fé que isso vai acontecer! Querem apostar?

29/06/10

O Pão de Cristo.

Este é um relato verdadeiro
PARA LÊR EM SILÊNCIO... E MEDITAR...

O que se segue é o relato verídico acontecido com um homem chamado Victor.
Depois de andar meses a fio sem encontrar trabalho, viu-se forçado a recorrer à mendicidade para sobreviver, o que o entristecia e envergonhava bastante.
Numa fria tarde de inverno, estava Victor nas imediações de um restaurante de luxo quando se aproxima um casal, a quem pediu algumas moedas para comprar alguma coisa para comer.
- Não tenho trocos - foi a seca resposta que recebeu do homem.
A mulher dele, ouvindo esta resposta, perguntou:
- O que te queria o pobre homem?
- Estava a pedir dinheiro para comer. Disse que tinha fome... - respondeu o marido encolhendo os ombros.
- Lourenço, nós não podemos entrar aí e comer uma comida farta de que não necessitamos, deixando um homem faminto aqui fora!
- Óh mulher! Hoje em dia vemos um mendigo a cada esquina! Até apostava que ele quer é dinheiro para os copos!
- Seja como fôr, eu tenho uns trocos comigo... Vou dar alguma coisa ao coitado!
Apesar de estar de costas para eles, Victor ouviu tudo o que diziam. Estava bastante envergonhado, apenas pensando em afastar-se e fugindo dali... mas a voz amável voz da mulher reteve-o:
- Oiça lá, senhor! Aqui tem qualquer coisa para o ajudar. Veja se consegue algo para comer, e ainda que a situação esteja difícil, não perca a esperança. Haverá em algum lugar um trabalho para si, tenho a certeza. Faço votos para que o encontre.
- Muito obrigado, minha senhora. A senhora ajuda-me a recobrar o ânimo e nunca esquecerei a sua bondade e gentileza.
- Olhe... Você vai comer o Pão de Cristo! Partilhe-o - acrescentou a senhora com um largo sorriso, que era mais dirigido ao homem do que ao mendigo.
Victor sentiu como se uma descarga eléctrica lhe houvesse percorrido o corpo.
Encontrou um lugar onde podia comer um pouco e barato. Apenas precisou de gastar metade daquilo que havia recebido, pelo que resolveu guardar o restante para o dia seguinte, pois assim comeria do 'Pão de Cristo' durante dois dias.
Quando pensou nisto, mais uma vez mais sentiu aquela espécie de descarga eléctrica a percorrer-lhe o corpo: O PÃO DE CRISTO!
"Um momento! - pensou - Eu não posso guardar o 'Pão de Cristo' só para mim".
Na sua cabeça parecia-lhe como que escutar o eco de um velho hino que em criança havia aprendido na catequese. Naquele momento vai a passar um velhote ao seu lado.
- Quem sabe, se este pobre homem também tem fome - pensou - Tenho de partilhar o 'Pão de Cristo'. - Ouça - chamou Víctor - Quer entrar para comer uma comidinha quentinha?
O velho voltou-se e encarou-o com um olhar incrédulo.
- Está a falar sério, amigo?
O homem não acreditava em tanta sorte, até que se tivesse sentado à mesa coberta com uma toalha e com um belo prato de comida quente à frente.
Durante a refeição, Víctor reparou que o homem embrulhou um pedaço de pão num guardanapo de papel.
- Está a guardar um pouco para amanhã? - Perguntou-lhe.
- Não, não, meu amigo. É que vi à pouco um miúdo da rua que conheço e que tem passado bastante mal ultimamente. Quando o deixei, ele chorava com fome, pelo que me lembrei de lhe levar este pedaço de pão, se não se importar.
- O Pão de Cristo! - Victor recordou novamente as palavras da senhora e ficou com a estranha sensação de que havia um terceiro convidado sentado naquela mesa.

12/06/10

POESIA PORTUGUESA


Canto para os teus nomes
*
Muitos nomes te dei:
amiga, mar, chuva caindo,
odores de terra e espuma...
dei-te nome de paz
que achamos em nós
nome com gosto a amoras
na tua boca
Primavera, casa, exílio,
porto sem amarras
aonde me fundeio
Chamei-te chuva
chamei-te lume
chamo-te calor
Teus nomes
permanecem no teu rosto
em qualquer distância
Teus nomes
onde vivo projectado
(barro moldado como imagem)...
Na bruma da memória
te construo
oleiro que sou nas horas vagas
meus dedos
desenham-te as feições
dizem o teu nome
um nome só para ti
secreto e único
nome de qualquer ausência
mais presente.
Um nome das horas sós
quando tu estás.
*
um Poema de