15/09/08

PODE SER...

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Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
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Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.
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Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
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Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
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Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente
Sendo único e inesquecível cada momento
Que junto viveremos e nos lembraremos para sempre.
Albert Einstein
Há duas formas para Viver a vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
Outra é acreditar que todas as coisas são um milagre

12/09/08

A ARÁBIA ... TANTO PARA CONTAR...

- Quando se fala da Arábia, logo nos vêm à memória as histórias do Ali Babá, do Ladrão de Bagdad ou do Sir Lawrence da Arábia... mas estas são apenas histórias de encantar ou feitas para o cinema, porque a realidade é bastante mais entusiasmante que histórias para o serão... em casas onde não existe televisão!
- A arqueologia tem mostrado mundos inimagináveis esquecidos na poeira dos tempos ... e dos desertos que constituem grande parte do Oriente médio. Mas vamos continuar a história, não das Mil e Uma Noites da mítica Sherazade, mas da Arábia real, misteriosa, antiga até se dizer chega!
- No II milénio a.C., domestica-se o camelo e, anos mais tarde, inventa-se uma escrita alfabética. Na segunda metade do I milénio, nascem, na Arábia do Sul, estados organizados, entre os quais os reinos de Hadramaout e de Saba (séculos IX a.C. a I d.C.). Os negociantes da Arábia do Sul monopolizam o comércio entre a Índia e o Ocidente, mas as trocas declinam por volta do II milénio a.C. Os beduínos da Arábia do Norte, por seu turno, praticam uma economia tão precária que não pode ser auto-suficiente. Os oásis do Hedjaz são activos centros de comércio.
- Com a presença romana no Oriente, nos séculos II a.C. a IV d.C., desenvolveram-se, nos terminais das rotas de caravanas, as celebradas cidades-estados: Petra, que foi primeiro a capital dos Nabateus e depois, a capital da província romana da Arábia (ano 106 d.C.), Bosra e Palmira (século III). Nos séculos IV e V, o declínio do comércio coincidiu com a decadência de Roma e a desorganização da Arábia do Sul.
- A expansão do cristianismo e do judaísmo, levou a que Meca e o seu centro de peregrinação em torno da Caaba e da Pedra Negra, se desenvolvesse, graças ao próspero comércio dos Coraixitas. O Profeta Maomé começou a pregar no início do século VII e estas pregações, depois de reunidas no Alcorão, mostraram ser capazes de unir a Arábia em torno de uma nova religião, dando um novo impulso à expansão para as terras mais ricas, que era a eterna vocação dos nómadas.
- Yathrib (Medina), para onde a comunidade teve de emigrar, decorria o ano de 622, veio a transformar-se no centro do Islão. No ano de 630, as tribos de toda a península já estão todas convertidas ao Islamismo.
- Iremos continuar esta história, pois é como a Nau Catrineta... "tem muito que contar!..."

10/09/08

HISTÓRIA DAS ARÁBIAS...?

"Mapa do bezerro" encontrado na Península de Omã
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- A Arábia, que constitui uma ponte entre a África e a Ásia, tem um interesse arqueológico capital, principalmente no que se refere às fases mais antigas da pré-história. Na gruta de al-Guzaha (Hadramut), no Iémen, os níveis terão um milhão de anos e há mençãode inúmeros locais de tipo mustierense, em toda a península.
- O período Neolítico está representado em várias regiões onde outrora se desenvolveu a agricultura e a criação de gado, sobretudo de bovinos. A arte rupestre, muito rica, nomeadamente na região de Sada, inclui numerosas representações de bovídeos. Aliás, a presença de cerâmica pintada, proveniente da cultura de Obeid, na Mesopotâmia, demonstra que houve contactos marítimos regulares entre esta região e a costa do Golfo, a partir do V milénio antes da nossa era.
- Os primeiros "sítios" da Idade do Bronze datam de 3.000 a.C.Na Península de Omã encontramos Bat, Hili e Mayar, que são verdadeiros oásis onde as bases de subsistência assentavam na agricultura de regadio e no aproveitamento dos recursos proporcionados pelas palmeiras. O cobre das montanhas de Omã, que desde aquela data se exporta para as cidades da Suméria e para as aldeias da costa de Ras al-Djunayz, é um elemento i9mportantíssimo no desenvolvimento do comércio marítimo no oceano Índico.
- A partir do III milénio a.C., a região, além de manter os contactos com a Suméria, estabelece-os igualmente com a civilização do Indo. Na Idade do Bronze (III-II milénio a.C.), a população das inúmeras aldeias e lugarejos do Iémen pratica uma agricultura cerealífera, principalmente o sorgo e a cevada. De resto, usa-se o cobre e a cerâmica, apresentando esta afinidades com a Palestina, mas também pela sua decoração, com as culturas do Sudão, suas contemporâneas. Atribuem-se ainda a esta época os alinhamentos de pedras dispostas verticalmente.
- Do Kuwait até ao Bahrein, desenvolveu-se a cultura de Dilmon - nome dado a esta região pelos Sumérios - que conheceu uma evolução paralela, desde finais do IV milénio. Desta cultura se conhece, em especial, a fase final, entre o ano 2200 e 1750 a.C., que se desenvolveu ao longo do litoral, desde Faylaka até ao Barhrein e ao Qatar. Os lugares têm um aspecto urbano e a cultura material, apesar de influenciada pela Mesopotâmia, apresenta muitos aspectos originais, nomeadamente os pequenos sinetes redondos chamados de "do Golfo". No II milénio, a região é denominada pelas dinastias Cassitas, da Mesopotâmia.
- Dessa história e do período pré-islâmico falarei em próximo escrito.

08/09/08

QUADRAS DA QUEIMA DAS FITAS


“Teus olhos, contas escuras,
São duas ave-marias
Dum rosário de amarguras
Que eu rezo todos os dias.
..
Amas a Nosso Senhor
Que morreu por toda a gente,
E a mim não me tens amor
Que morro por ti somente!
..
Há no mundo quem aponte
Uma mulher quando cai.
Nasce água limpa na fonte,
Quem a suja é quem lá vai.
..
Lá por ser de gente fina,
Não me tire a mim o rol.
A lua é bem pequenina
- E às vezes encobre o sol.
..
Marque bom chapéu quem manda
E neja quem obedeça.
O chapéu dos pobres anda
Mais na mão que na cabeça...”
...
Augusto Gil

07/09/08

POESIA...

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Mar Português
***
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

***
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
***
Senhor, a noite veio e a vontade é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

***
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto cinzas a ocultou:
A mão do vento pode ergue-la ainda.

***
Dá o sopro, a aragem - ou a desgraça ou ânsia-,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistamos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

***
Fernando Pessoa

06/09/08

SONETO A QUATRO MÃOS...

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Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

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Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

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Tenho dado de amor mais que coubesse

Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

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Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano

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Vinicius de Morais

31/08/08

ENVELHECER...


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Envelheço quando me fecho para as novas ideias e me torno radical.
Envelheço quando o que é novo me assusta, e a minha mente insiste em não aceitar.
Envelheço quando me torno impaciente, intransigente e não consigo dialogar.
Envelheço quando meu pensamento abandona sua casa. E retorna sem nada a acrescentar.
Envelheço quando muito me preocupo e depois me culpo porque não tinha tantos motivos para me preocupar.
Envelheço quando penso demasiadamente em mim mesmo e consequentemente me esqueço dos outros.
Envelheço quando penso em ousar e já antevejo o preço que terei que pagar pelo acto, mesmo que os factos insistam em me contrariar.
Envelheço quando tenho a chance de amar e deixo o coração que se põe a pensar: Será que vale a pena correr o risco de me dar? Será que vai compensar?
Envelheço quando permito que o cansaço e o desalento tomem conta da minha alma que se põe a lamentar.
Envelheço, enfim, quando paro de lutar!
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