04/03/08

LÍRICA CAMONIANA II


SONETO
pçp
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
jfj
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
klk
E se vires que pode merecer-te
Algüa cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
vbv
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
(Luís de Camões)

02/03/08

VOLTAMOS A FALAR DE DEMOCRACIA...


---- Os maiores receios de Tocqueville não eram infundados. Eles são descritos numa passagem do capítulo 6º. do Livro II, onde podemos tentar compreender um pouco da sua dramática teoria:
---- " Tento encontrar novos traços sobre os quais o despotismo pode surgir no mundo. A primeira coisa que observo é uma imensa variedade de homens, todos iguais e parecidos, que fazem todos os possíveis para obter os prazeres mesquinhos e desprezíveis, com os quais preenchem as suas vidas. Cada um deles, vivendo deparadamente, é como um estranho para o destino de todos os outros; os seus filhos e os seus amigos privados constituem toda a humanidade. Quanto ao resto dos seus concidadãos, está próximo deles mas não os vê; toca-lhes, mas não os sente; existe apenas em si próprio e para si próprio; e se os seus parentes faleceram, pode dizer-se que perdeu o seu país. Acima desta raça de homens surge um poder imenso e tutelar, que se encarrega de assegurar as suas gratificações e de vigiar o seu destino. Esse poder é absoluto, breve, regular, providente e moderado. Funciona como a autoridade de um pai - se, como essa autoridade, o seu objectivo fosse o de preparar os homens para a idade adulta - ; mas procura, pelo contrário, mantê-los numa infância perpétua: contenta-se com o regozijo das pessoas, desde que não pensem em nada mais que não seja regozijar-se.
---- Este tipo de governo trabalha intrépidamente pela sua felicidade, mas escolhe ser o único agente e o único árbitro dessa felicidade; trata da sua segurança, prevê e fornece as suas necessidades, facilita os seus prazeres, gere as suas preocupações principais, dirige a sua indústria, regula a passagem da propriedade e subdivide as suas heranças; o que resta, a não ser poupá-los a qualquer pensamento e à maçada de viver.".
---- Esta passagem não é mais que um exercicio de retórica, exagerada, políticamente incorrecta e mais que meramente snobe para o gosto moderno - dir-se-á - e além do mais será apenas uma imagem do isolamento social, que estará a ser exagerado - mesmo que muitos sociólogos modernos tenham mencionado termos algo similares, como "a multidão solitária", "alienação", "anomia" ou "jogar bowling sózinho" -, mas é completamente sério e obriga-nos a pensar em questões primordiais, mais do que os resultados da próxima eleição ou naquilo que os vizinhos pensam. Esta passagem foi mal interpretada como uma profecia do totalitarismo nos meados do século XX - ignorando o "providente e moderado"; mas trata-se precisamente do contrário. Tocqueville não afirma que os indivíduos serão iniciados numa ideologia e mobilizados para a acção por um líder ou por um partido, mas que serão atordoados até perderem qualquer tipo de interesse na acção política corporativa. A questão assemelha-se mais à imagem sarcástica do proletariado, por Orwell, na obra "1984", rebaixado como uma cena de terror (uma sátira sobre o seu presente e os nossos amanhãs). Talvez a passagem de Torcqueville tenha algo em comum com uma crítica social conservadora ultrapassada sobre os efeitos prováveis do estado social, o que agora, infelizmente, parece ser tão usualmente aceite que as pessoas perderam a noção do seu significado.
---- Mas... talvez se trate apenas de uma crítica à sociedade de consumo.
---- Continua

28/02/08

"PAI" AMÉRICO - UM HOMEM DE DEUS


___Por casualidade ou por força do destino, estive presente nos funerais do "Pai Américo", o notável Sacerdote que fundou a mais que conhecida "Casa do Gaiato", ou a Obra da Rua, sediada em Paço de Sousa mas com extensões em diversas partes do País e de África. Aconteceu estar em Paço de Sousa em 1956 e as pessoas com quem estava terem resolvido prestar homenagem a um Homem bom, que se haviam habituado a vêr quando ele, com os seus óculos de aros redondos, cabelo curtinho, batina já puída pelos anos, pedia ajuda para os "seus rapazes".
___O Padre Américo Monteiro de Aguiar era natural de Galegos, Penafiel, onde nascera em 23 de Outubro de 1887. Passaram 52 anos sobre a morte do Padre Américo, resultante de um trágico acidente de viação. Vinha de Braga, onde estava a ser eregida a sua obra final: o Calvário, que destinava à assistência de doentes terminais. A viatura em que seguia, numa boleia de um casal amigo da Obra da Rua, sofreu um despiste... e apenas o bondoso Eclesiástico sofreu danos... e a morte. Logo se disse ter o Senhor chamado o Pai Américo à Sua presença, porque sabia quanto ele estava cansado da vida preenchida que mantinha na terra. Para atestar a sua predilecção pelos mais desfavorecidos da sorte, criou a Obra do Gaiato, o Património dos Pobres e o Calvário.
----Uma frase do Padre Américo ficou como uma divisa para a eternidade: "NÃO HÁ RAPAZES MAUS!". Era um Homem de Deus, providencial como apenas ele o poderia ter sido para haver um destino de esperança a aguardar as crianças deserdadas da sorte. Dizia que a Casa do Gaiato seria a "casa de família para aqueles que não têm família". Aqueles que na Casa do Gaiato foram acolhidos, podem não ter tido o afecto que se poderia exigir dos pais naturais, mas também não foram lançados ao mundo da indiferença. O ex-libris da Casa do Gaiato mostra "UM GAROTO DE BRAÇOS ABERTOS, A PEDIR O AMOR DO PRÓXIMO!", recebeu dos companheiros da Instituição a alcunha de "Quim Mau", não sendo isto um mero acaso. Apenas o sinal indelével de uma grande singularidade se consumou, continuando de pé, apesar das muitas tentativas demasiadamente óbvias para a deitar por terra, acusando a Casa do Gaiato dos mais sinistros propósitos... apenas porque o Pai Américo deixou em herança uma obra dos Rapazes, pelos Rapazes e para os Rapazes... e estes têm merecido o legado do seu Fundador.
----Aquilo que o Padre Américo Aguiar nos transmite, perante a estupidez do Poder, é afinal uma lição para as horas que passam, tecida na largueza mental que exclui a dissolvente questiúncula, no descerramento do coração que postega o agastado sectarismo, e na vontade de agir que rejeita o vício do protesto. A última imagem que tenho do Pai Américo, tirando aquela que me ficou na retina quando baixou à sepultura, é o Padre sorrindo, com um sorriso doce, bondoso, na varanda da Casa de Paço de Sousa. A seu lado viam-se sardinheiras, plantas pobres entre as mais pobres, mas também as que mais resistiam às inclemências do tempo. Recordo a sineta tocando, chamando aqueles "gaiatos" para se sentarem ao redor da mesa, onde a amizade está desde logo servida, mas o jantar estará a chegar.
----E é então que compreendo o alcance daquela divisa: "NÃO HÁ RAPAZES MAUS!"

LÍRICA CAMONIANA


Ditoso seja aquele que somente
se queixa de amorosas esquivanças;
pois por elas não perde as esperanças
de poder n'algum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando absente,
não sente mais que a pena das lembranças;
porque inda que se tema de mudanças,
menos se teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado
onde enganos, desprezos e isenção
trazem o coração atormentado.
Mas triste quem se sente magoado
de erros em que não pode haver perdão,
sem ficar n'alma a mágoa do pecado!
-----
Presença bela, angélica figura,
em quem, quanto o Céu tinha, nos tem dado;
gesto alegre, de rosas semeado,
entre as quais se está rindo a Fermosura;
Olhos, onde tem feito tal mistura
em cristal branco e preto marchetado,
que vemos já no verde delicado
não esperança, mas enveja escura;
Brandura, aviso e graça que, aumentando
a natural beleza c'um desprezo
com que, mais desprezada, mais se aumenta;
São as prisões de um coração que, preso,
seu mal ao som dos ferros vai cantando,
como faz a sereia na tormenta.
(Luis Vaz de Camões) - Sonetos

20/02/08

MOMENTO...


AMAR... AMAR.... Amar sem medida!


---- Nos tempos que correm, há valores que se vão diluíndo no tempo, que se vão perdendo de forma por demais angustiante, porque alguns desses valores são fundamentais para a sobrevivência do género humano... a não ser que as ciências, biomédica e a cibernética, evoluam por tal forma que deixem de ser necessários muitos desses valores.

---- Um dos valores que parece estar a esvair-se quanto ao seu significado é o AMOR! A maior prova de amor será o dar a vida, o que não será muito chamativo para os jovens de hoje, que nem que esse "dar a vida" seja uma simples figura de estilo... não vão muito à bola com a sugestão!

---- É uma certeza de que quem não ama não conhece Deus. Quem diz amar a Deus e não ama os irmãos, não passa disso mesmo: UM MENTIROSO! A caridade e o amor, são a perfeição da lei de Deus em toda a plenitude! A santidade apenas se pode medir pela bitola do AMOR!

---- Amar! Amar a todos! Amar sempre! Ninguém se poderá sentir "cansado" por amar os de longe e os de perto, os amigos e os inimigos, os simpáticos e os antipáticos. O Amor, para ser verdadeiro, tem de ser concreto, activo, vivo, traduzido em obras! Não as obras que ficam para a posteridade, pois o Amor não é coisa que possa ser negociada como uma casa, um automóvel ou um qualquer objecto, uma vez que o amor é saído do coração de forma gratuíta, e haverá reciprocidade, para que seja uma fusão capaz de produzir a FELICIDADE!

---- O amor é tolerante, é alegre, é sorriso, é partilha, é doação. Aquele ou aquela que consegue vêr Jesus nos outros, esse ou essa estão possuídos pelo amor, pois amar é ver Jesus em cada um dos que nos são próximos.

Amar...amar...amar sem medida, pois a medida do amor é amar sem medida! E quando nos advem o cansaço de amar, apenas nos resta uma coisa: recomeçar de novo, no momento seguinte!

---- A tua felicidade está na capacidade de amares quanto possas, pois será o amor a trazer-te a felicidade! Recorda sempre que Jesus deu a vida por nós... POR AMOR!

19/02/08

OLHAR...



OLHE ...
Quando estiver em dificuldade
E pensar em desistir,
Lembre-se dos obstáculos
Que já superou.
OLHE PARA TRÁS.
----
Se tropeçar e cair,
levante,
Não fique prostrado,
Esqueça o passado
OLHE PARA FRENTE.
---
Ao sentir-se orgulhoso,
Por alguma realização pessoal,
Sonde suas motivações.
OLHE PARA DENTRO.
---
Antes que o egoísmo o domine,
Enquanto seu coração é sensível,
Socorra aos que o cercam.
OLHE PARA OS LADOS.
---
Na escalada rumo às altas posições
No afã de concretizar seus sonhos,
Observe se não está pisando EM ALGUEM
OLHE PARA BAIXO.
---
Em todos os momentos da vida,
Seja qual for sua atividade,
Busque a aprovação de Deus!
OLHE PARA CIMA.
---
"Nunca se afaste de seus sonhos,
pois se eles se forem,
você continuara vivendo,
mas terá deixado de existir".
(Charles Chaplin)