07/01/08

O QUE SÃO OS SONHOS?


---Qual a causa dos sonhos? Porque são os sonhos tão estranhos? Por que são tão fifíceis de recordar? Uma verdadeira ciência dos sonhos requer uma definição fiável que possa levar a uma identificação segura desse estado e de métodos para avaliar as suas propriedades. Durante o estudo das funções cerebrais, que levou à suspeita de que a causa dos sonhos seria a activação do cérebro durante o sono, compreendemos que a forma mais científicamente válida de definir e avaliar os sonhos seria centrarmo-nos nas suas características formais em vez de no seu conteúdo - com isto entendam-se as qualidades perceptivas (como aprendemos), cognitivas (como pensamos) e emocionais (como sentimos) dos sonhos , independentemente dos detalhes das suas histórias e cenários individuais.

---Esta alteração radical de perspectiva, da análise do conteúdo para a análise formal, exemplifica aquilo a que os cientistas chamam uma mudança de paradigma (uma mudança abrupta de modelo ou teoria). Através de uma abordagem formal, descobrimos uma forma totalmente nova e diferente de olhar para um fenómeno familiar. Enquanto os anteriores estudiosos dos sonhos perguntavam, invariávelmente, "QUE SIGNIFICA O SONHO?", nós perguntamos quais são as características mentais dos sonhos que os distinguem da actividade mental desperta. Com isso não estamos a afirmar que o conteúdo dos sonhos não é importante, informativo ou mesmo interpretável. De facto, cremos que os sonhos possuem todas estas propriedades, mas é já indiscutível que muitos dos aspectos dos sonhos previamente tidos como psicológicamente significativos, distintos e interpretáveis são menos reflexos das mudanças nos estados cerebris relacionadas com o sono que começaremos e detalhar lá mais para diante.

---Passemos a uma análise em que faremos uma definição abrangente, geral e inquestionável dos sonhos: actividade mental que ocorre durante o sono. Mas que tipos de actividade mental ocorrem durante o sono? Muitos tipos diferentes, como por exemplo:

---RELATO 1 - "Logo que adormeci, senti-me em movimento, tal como o mar abanava o nosso barco, quando hoje estive a pescar!"

---RELATO 2 - "Pensava insistentemente no exame próximo e sobre as matérias que nele viriam. Não dormi bem porque estava constantemente a acordar e insistentemente a regressar às mesmas inquietações sobre o exame.".

---RELATO 3 - " Estou empolado no alto de uma montanha íngreme, o vazio estende-se à minha esquerda. Enquanto o grupo de trepadores contorna o trilho à direita, encontro-me de repente numa biciclete, que conduzo por entre os caminhantes. Torna-se evidente que estou a fazer um circuito fechado em torno do pico (nesta altura) mantendo-me sobre um relvado. Existe, da facto, uma superfície relvada, tratada, que se estende entre as rochas e as escarpas.".

---Todos estes relatos se podem considerar sonhos, de acordo com a definição mais abrangente, embora sejam muito diferentes uns dos outros e cada um seja característico do tipo de sono em que foi experênciado.

---Não vos pretendo deixar capazes de ir sonhar com as explicações interpretativas que estes três sonhos merecem, mas vamos esperar pelo próximo escrito, onde prometo que o irei fazer, com todo o prazer que me dá dar-vos conta destas coisas da mente, do subconsciente ou daquilo que queiram chamar aos sonhos.

---Quando sonho com a titular deste blogue... acreditem que sei exactamente porque tal acontece, porque o amor nunca engana, não sabiam?--

...EU...


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada...a dolorida..
-

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
-


Sou aquela que passa a ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
-
Sou talvez avisão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo para me ver
E que nunca na vida me encontrou!

(Florbela Espanca)


O AMOR ...

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
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É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que se ganha em se perder.
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É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
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Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
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Luis Vaz de Camões

01/01/08

DEMOCRACIA... bom ou mau?

----- Há muitos significados que se congregam na palavra democracia. Se há lgum significado verdadeiro, este estará, como terá afirmado Platão, guardado no céu, mas, infelizmente, ainda não nos foi comunicado. A palavra é aquilo a que alguns filósofos chamaram "um conceito essencialmente contestado", um daqueles termos com cuja definição nunca podemos estar de acordo, uma vez que a própria definição acarreta uma agenda social, moral ou política diferentes. No livro "Defense of Politics", escrito há 40 anos por Bernard Crick, foi rectificada a "palavra deveras promíscua" como uma ninfa grega ou romana - ou Democratia, uma divindade ateniense secundária: "Ela é a concumbina de todos e, no entanto, preserva a sua magia, mesmo quando um amante percebe que os seus favores estão a ser ilicitamente partilhados por muitos outros".
-----Platão, como se torna claro, detestava a democracia. Para o filósofo, significava o enaltecimento da doxa mais que da philophia; da opinião, em detrimento do conhecimento. A palavra grega para "poder" era kratos e para "povo", demos, mas muitos outros autores antigos (e modernos) atribuiram-lhe um significado prejorativo; a maioria traduzia-se simplesmente por "a multidão" - um animal poderoso, egoísta, instável, contraditório.
-----O seu pupilo, Aristóteles, desenvolveu um ponto de vista mais moderado na sua obra "Política". Embora a democracia para Aristóteles fosse uma condição necessária para o bom governo, estava longe de ser condição suficiente. Quando falamos de justiça e de bom governo, referimo-nos a uma complexidade de conceitos, valores e práticas diferentes, e uma complexidade nunca permanece a mesma.
-----Beatrice Webb não negou a democracia quando afirmou: "a democracia não é a multlipicação de opiniões ignorantes". Webb estava apenas, embora de uma forma um pouco acre, a pô-la no seu lugar e a exigir uma reforma educacional mais profunda, ou apenas educação.
-----É necessário reagir com algum cepticismo quando se reivindica que um determinado conceito de democracia deve ser o melhor para todas as estações, bem como alguma ironia sobre o modo como escolhemos vestir uma certa peça de roupa de pronto-a-vestir democrático mais que outra; e temos de escolher, mesmo que seja por falta de comparência. Nas democracias o acto generalizado de não escolher pode ser uma forma perigosa de esciolha. Cada um de nós tem de escolher alguma coisa, mas como e por que razão achamos que escolhemos pelos outros, são outras questões.
-----E é assim que, democráticamente, escolho continuar este trabalho próximamente... pelo que este trabalho CONTINUARÁ!

21/12/07

BOM ANO ...


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila
e espera desde sempre.
por: Carlos Drumond de Andrade

NATAL ...NATAL ....

NATAL... tempo de esperança... esperança no porvir que ressurge, tempo de mil propósitos de fraternidade, de partilha, de doação àqueles que nos são próximos de um pouco mais de ternura, mais atenção, mais humanidade... o refazer dos sonhos de infância, quando esperava, desesperando, que aquele Infante nascido nos viesse a contemplar com uma visita, para depôr na chaminé, o tão ansiado presente de Natal... mas o Deus Menino deixou fazer visitas e "delegou" num dos seus Santos de confiança, o velho São Nicolau... que nunca conseguiu saber o caminho da minha casa... ou então teria receio de não caber na chaminé, quem saberá?
NATAL... um tempo em que a partilha de sonhos se esbate na verdade de uma esperança, feita poema, em que se canta a alegria, supostamente presente nos cânticos dos Anjos celestes, que fazem ecoar pela imensidão dos céus:
"GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA AOS HOMENS POR ELE AMADOS!"
E será neste cântico de glória e louvor que vou repensando o meu Natal, que será tanto mais vivido quanto os Homens estejam realmente cientes de que o Menino Deus é um sinal do Amor do Pai, que espera pela BOA VONTADE para trazer a PAZ a toda a humanidade.
Entretanto... que o Menino Jesus nos conceda, sempre...
...BOAS FESTAS !

17/12/07

ARVORE DE NATAL ...

Quisera Senhor
este Natal,
armar uma árvore
dentro de meu coração
e nela pendurar,
ao invés de presentes,
o nome de todos os meus amigos.
Os amigos de longe e de perto,
os antigos e recentes,
os que vejo todos os dias
e os que raramente encontro.

Os sempre lembrados e os que,
às vezes, ficam esquecidos.

Os constantes e os intermitentes,
os das horas difíceis e os
das horas alegres.
Os que, sem querer, eu magoei ou,
sem querer me magoaram.

Aqueles a quem conheço profundamente
e aqueles que me são conhecidos
só as aparências.
Os que pouco me devem
e aqueles a quem devo muito.
Meus amigos jovens
e meus amigos velhinhos.

Meus amigos homens feitos
e as crianças, minhas amiguinhas.
Meus amigos humildes
e meus amigos importantes.

Os nomes de todos
que já passaram por minha vida.
Os que me estimam e admiram
sem eu saber
e os que amo e estimo
sem lhes dar a entender.

Quisera, senhor,
neste Natal
armar uma árvore
de raízes muito profundas
para que seus
nunca mais
sejam arrancados de minha vida.

Uma árvorede ramos muito extensos
para que os novos nomes,
vindos de todas as partes,
venham juntar-se aos já existentes.

Uma árvore de sombra muito agradável
para que nossa amizade,
seja um momento de repouso
no meio das lutas da vida...
BOM ANO 2008