07/01/14

ADEUS, EUSÉBIO...



Não sei se alguém poderá pensar em atribuír as lágrimas desta mulher à morte de Eusébio da Silva Ferreira, mas esta fotografia remonta aos tempos em que o 'King' andava a mostrar toda a sua categoria como jogador goleador do Benfica e da Selecção Nacional portuguesa  e representa a saudade pelo ente desaparecido na Guerra do Ultramar, talvez até na terra que viu nascer o 'Pantera Negra'.

Mas não é disso que pretendo falar, não é minha intenção estar para aqui a lembrar Homens que, porque cumpriram para além do dever o seu dever para com a Pátria, não são dignos de enfileirar na galeria dos heróis a quem devemos honrar, porque estavam ao serviço da ditadura do Estado Novo, que era colonialista... e eles foram defender a continuação do colonialismo português, como muitas vezes se escreve e diz na comunicação social, porque os valores de ontem nada têm a vêr com os de hoje! 
Ser herói é ser um exímio jogador de qualquer coisa, de preferência benfiquista e filiado no Partido Socialista, pois são estes quem 'comanda' as consciências voláteis do Zé Povinho, que faz de tudo uma festa, mesmo que seja um funeral de alguém que se estima e está indelével na memória dos seus simpatizantes... não digo amigo porque muitas vezes só o vimos pela televisão ou nos jornais, que nos relatam os feitos heróicos de um pontapé bem dado, que deu golo, no sprint para a meta numa corrida de prestígio, na palavra que se disse em determinado momento, dirigida a alguém que é poder e se pretende vêr fora do 'trono'... enfim:
 'AQUELES QUE POR FEITOS GLORIOSOS SE VÃO DA LEI DA MORTE LIBERTANDO'!  
Camões cantou muitos feitos, enalteceu figuras da História do Povo que somos, filhos desta 'Nação valente e imortal'... mas esqueceu-se de estender o seu génio à adivinhação, pois então também cantaria os feitos de um Homem simples, que veio um dia até à capital do Reino para praticar a nobre arte de dar pontapés na bola.

  
Com a camisola das quinas, ele deu uma dimensão de Portugal muito para além do então chamado Império Português, fazendo do golo a sua arma, da classe a sua bandeira e da humildade o seu cartão de visita, chegando até aos dias de hoje aureolado por um prestígio que só os 'Grandes', os 'Maiores' entre todos nós almejaram vir a alcançar.
Suscitou muitas invejas, criou alguns anti-corpos, esteve na génese de algumas lutas inter-clubes, porque foi aproveitada a sua ingenuidade para lhe inculcar aversão para com quem um dia pretendeu os seus serviços, mas na hora suprema, quando Deus o chamou para o seu regaço, todos os que lhe foram apontados como inimigos lhe foram dizer
Tanto ficou por dizer... tanto ficará sepultado para sempre nas lendas que Eusébio da Silva Ferreira continuará a suscitar, até pela hipótese de vir a perpetuar-se no Panteão Nacional. Lá ficará acompanhado por 'gentes famosas mais que quantas', mesmo que seja duvidoso alguns merecerem ali estar.
Eusébio é o porta bandeira de uma pleidade de 'monstros sagrados do futebol português', como Fernando Peyroteu, Júlio Cernadas Pereira (Juca), Sebastião Lucas da Fonseca (Matateu), José Travassos, Vitor Damas, Jesus Correia  e tantas outras estrelas do firmamento futebolístico que já antes nos haviam deixado.
Nem todos mereceram ser 'reis', mas também eles não serão esquecidos por aqueles que  os tiveram como exemplo.

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