24/06/13

O DUELO CRATO X NOGUEIRA


Nunca tanto como agora me vem à ideia o que pode ser a manipulação de todo um Povo, como agora acontece.
Quando um célebre crânio do audiovisual, de seu nome Emílio Rangel, garantiu ser possível eleger ou derrubar um Governo com a força da Televisão, que me vou dando conta de que ele dizia a verdade nua e crua.
Vem isto a propósito da campanha que o jornal 'PÚBLICO' vem desenvolvendo em prol da FENPROF, como se fosse uma sucursal do boletim informativo desta, naquilo que respeita ao apoio à greve ao exames nacionais de Português, que ocorreram no pretérito dia 17 de Junho. Na fase em que se deu o crescendo final da polémica por se ir fazer greve em data tão inopturna, o jornal teve o desplante de tentar convencer a opinião pública, de uma forma absurda e desonesta, das teses  da FENPROF de que se os alunos não iam a exame a culpa não era da greve marcada pelos Sindicatos para aquele dia, mas do Ministro da Educação, que não quis atender à marcação da greve e adiar os exames para outro dia.
Como se tivesse sido o Ministro a marcar os exames nacionais para uma data que a FENPROF já havia reservado e não o contrário.
O Ministro não pode estar às ordens da FENPROF, não se deve curvar perante o quero, posso e mando de um qualquer Mário Nogueira e seus marionetes, que não é toda a classe, felizmente.
 

Estar a "fazer isso era estar a sujeitar-se a ter de jogar ao gato e ao rato com o sr. Mário Nogueira, com total desprestígio do Ministério  e total desconsideração pelos alunos.
Sem pensar em esmorecer, o “Público” deu o seu melhor para nos tentar convencer de que no espírito dos sindicatos jamais esteve qualquer intenção de prejudicar os exames ou os alunos, e que quem os tomava por reféns era sim o Ministro — como tão brilhantemente foi explicado pelo outrora professor Mário Nogueira.
O facto de a greve sectorial ter sido agendada para a data do exame nacional de português, a greve geral para a data do exame nacional de matemática, e ambas concorrendo com as greves às avaliações (que duram já há duas semanas e prometem continuar) seria apenas uma  coincidência, uma distracção dos sindicatos, que, de forma alguma, pretenderam utilizar os alunos como instrumentos indefesos das suas reivindicações. Oh, não, de forma alguma!
Sucedeu, entretanto, que Nuno Crato teve também uma ideia simples e brilhante: convocou todos os professores para vigiarem os exames. Essa decisão — que o “Público”, sem temer o ridículo, não deixou de ecoar como uma “violação do direito à greve” — permitiu ao sr. Mário Nogueira proclamar “mais de 90% de adesão à greve”, enquanto os dados oficiais registavam que mais de três quartos dos alunos tinham conseguido fazer exame (embora também nos tivessem garantido que eles estavam solidários com a greve dos professores...).
 Perante estes dados, um jornal a sério teria escrito como título da notícia: “Greve não impede 76% dos exames”.
  Ou, se quisesse adoptar a lógica sindical: “Crato derrota Fenprof”. Mas o “Público” é o “Público” e eis a sua manchete de terça-feira: “Pais e directores condenam desigualdade nos exames”. E, em subtítulo: “Pelo menos 20.000 alunos não fizeram exame e foram denunciadas inúmeras irregularidades”.
Agora, os factos invocados: a “desigualdade” consiste em haver alunos que fizeram exame a 17 de Junho e outros que o vão fazer a 2 de Julho; os “pais” eram dois dirigentes das inúmeras associações de pais existentes, de norte a sul e seguramente escolhidos a dedo, porque eu ouvi outros dizer o oposto do relatado no jornal; os “directores” eram também dois directores de outras tantas inúmeras associações nacionais e por acaso coincidentes com as posições da Fenprof.
E as “irregularidades” (invocadas pela Fenprof e ecoadas pelo “Público”), eram tão ridículas como o facto de numa escola se terem ocupado menos salas do que previsto, noutra ou noutras se terem iniciado os exames 15 minutos depois da hora marcada e noutras, alegadamente, os exames terem sido vigiados por quem, segundo a Fenprof, “não tinha formação para tal” (será preciso tirar um curso para vigiar um exame?).
Ou seja, e resumindo: a derrota custou muito a digerir. À Fenprof e ao “Público”.
No primeiro caso, entende-se; no segundo, sinceramente, lamenta-se. Mas cada um escolhe a corda com que se quer enforcar."
Miguel Sousa Tavares - EXPRESSO

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